Administrador do Blog Prof. Paulo Robson

Fique a vontade para enviar suas sugestões e críticas para contato@professorpaulorobson.com.br ou contacte o professor pelas redes sociais - disponíveis no link CONTATOS

Ciência e Tecnologia

O que há de novidade em Ciência e Tecnologia pelo Brasil e pelo mundo, você encontra aqui.

Questões de Física do ENEM

Aqui você vai encontrar várias questões de Física e algumas de Biologia das edições anteriores da prova com direito ao gabarito e comentário. Excelente espaço para estudar.

Curiosidades Gerais

Várias curiosidades físicas, matemáticas e uma enormidade de informções que talvez não soubesse você encontra aqui.

Notícias de Altaneira

Informações sobre Educação, Cultura e Variedades na cidades de Altaneira-Ce, nesse espaço.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Estudantes não conseguem avaliar credibilidade das informações na internet

Além das bolhas de informação que isolam os usuários entre aqueles que pensam de forma parecida, os especialistas têm-se preocupado em como juntar liberdade de expressão, mídias sociais e verdade.
[Imagem: Juandavo/Wikimedia]
Educadores da Universidade de Stanford, nos EUA, afirmam que os jovens são facilmente enganados por conteúdos patrocinados e nem sempre reconhecem o viés político das mensagens recebidas pelas redes sociais.

Eles concluíram que, quando se trata de avaliar a informação recebida através dos canais sociais ou mesmo dos resultados de uma pesquisa no Google, os jovens - todos usuários costumeiros da tecnologia digital - podem facilmente ser enganados.

Os testes mostraram uma incapacidade inesperada dos alunos para ponderar sobre as informações que viam na internet, disseram os autores. Por exemplo, os estudantes tiveram dificuldade em distinguir propagandas de artigos de notícias ou identificar de onde vinha a informação.

"Muitas pessoas assumem que, como os jovens são fluentes em mídias sociais, eles seriam igualmente perspicazes sobre o que eles encontram lá. Nosso trabalho mostra que o oposto é verdade," disse o professor Sam Wineburg, coordenador do estudo.

A equipe começou seu trabalho em janeiro de 2015, bem antes dos debates mais recentes sobre notícias falsas e sua influência na eleição presidencial dos EUA e nos acontecimentos políticos no Brasil.

Os testes foram desenvolvidos para avaliar o entendimento que cada aluno deveria possuir, como ser capaz de descobrir quem escreveu uma história e se essa fonte é confiável. Os pesquisadores basearam-se na experiência de professores, pesquisadores universitários, bibliotecários e especialistas em notícias para chegar a 15 testes adequados a cada idade - cinco para cada nível, abrangendo escola secundária, ensino médio e faculdade.

"Em todos os casos e em todos os níveis, fomos surpreendidos pela falta de preparação dos alunos," escreveram os autores. "Este resultado indica que os alunos podem se concentrar mais no conteúdo dos posts de mídias sociais do que em suas fontes. Apesar de sua fluência com as mídias sociais, muitos estudantes desconhecem as convenções básicas para indicar informações digitais verificadas".

Os autores afirmam recear que a democracia esteja sob ameaça pela facilidade com que a desinformação sobre questões cívicas se propaga e floresce.

Wineburg afirma que a equipe pretende agora desenvolver técnicas para ajudar os educadores e professores a mensurar a compreensão dos seus alunos e instruí-los adequadamente para filtrar por si mesmos as informações que recebem.

Fonte: Diário da Saúde

domingo, 4 de dezembro de 2016

Brasil se prepara para lançar sua primeira missão à Lua

O pequeno nanossatélite deverá levar uma série de experimentos científicos, sobretudo na área de astrobiologia. [Imagem: EESC/Divulgação]
Sonda lunar brasileira
Até dezembro de 2020, uma equipe brasileira planeja lançar a primeira missão sul-americana ao satélite natural da Terra.
O projeto Garatéa-L está sendo proposto por uma equipe de engenheiros e pesquisadores da Escola de Engenharia da USP (EESC) em São Carlos (SP). Com a divulgação da proposta, a equipe se prepara agora para buscar os R$35 milhões necessários para viabilizar a missão.
"A ideia é nos beneficiarmos da recente revolução dos nanossatélites, mais conhecidos como cubesats, para colocar o País no mapa da exploração interplanetária," afirmou Lucas Fonseca, gerente do projeto.
Nave-mãe
O lançamento da sonda brasileira será realizado em uma parceria entre duas empresas britânicas com as agências espaciais europeia (ESA) e do Reino Unido (UK Space Agency), aproveitando a primeira missão comercial ao espaço profundo - a Pathfinder. O veículo lançador contratado é o indiano PSLV-C11, o mesmo foguete que enviou com sucesso a missão Chandrayaan-1 para a Lua, em 2008.
No lançamento europeu, diversos cubesats - dentre eles o brasileiro - serão levados à órbita lunar por uma nave-mãe, que também fornecerá o serviço de comunicação com a Terra e permitirá a coleta de dados por pelo menos seis meses.
"É uma oportunidade única de trabalhar com os europeus num projeto que pode elevar as ambições do Brasil a outro patamar," disse Lucas, que trabalhou no desenvolvimento da Rosetta, a sonda da ESA que realizou o primeiro pouso em um cometa, em 2014.
"Busca vidas"
As pesquisas do nanossatélite se concentrarão no campo da astrobiologia, o estudo do surgimento e da evolução da vida no Universo. Em seu interior, viajarão até a órbita da Lua diversas colônias de microrganismos vivos e moléculas de interesse biológico, que serão expostas à radiação cósmica por diversos meses.
É a astrobiologia que dá nome à missão: Garatéa, na língua tupi-guarani, significa "busca vidas", somada ao L, de lunar.
O objetivo é investigar os efeitos do ambiente espacial sobre diferentes formas de vida. O esforço é um passo adiante com relação aos experimentos já realizados pela equipe na estratosfera, usando balões meteorológicos, que expuseram diversas amostras aos raios ultravioleta solares sem a filtragem da camada de ozônio terrestre.
"A busca por vida fora da Terra necessariamente passa por entender como ela pode lidar - e eventualmente sobreviver - a ambientes de muito estresse, como é o caso da órbita lunar. O conhecimento obtido com a missão sem dúvida ajudará a compor esse difícil quebra-cabeça," disse Douglas Galante, que divide a responsabilidade pelos instrumentos científicos com seu colega Fábio Rodrigues.
Brasil prepara-se para lançar sua primeira missão à Lua
Garatéa, na língua tupi-guarani, significa "busca vidas", somada ao L, de lunar. [Imagem: EESC/Divulgação]
Estudos humanos e da Lua
Amostras de células humanas também viajarão a bordo da sonda, para verificar que efeitos o ambiente radiativo extremo, longe da proteção da atmosfera e distante do campo magnético terrestre, poderia causar nos astronautas durante missões de longa duração além da órbita terrestre baixa - um dado importante para missões tripuladas à Lua ou mesmo a Marte.
Outro instrumento fará a medição dos níveis de radiação em órbita cislunar, um dado importante para os planos de futuras missões tripuladas de longa duração à Lua.
Além dos experimentos com viés astrobiológico, a Garatéa-L também fará estudos da Lua em si. A sonda será colocada em uma órbita polar altamente excêntrica, que permitirá a coleta de imagens multiespectrais da bacia Aitken, localizada no lado afastado da Lua e de alto interesse científico.
Viabilização
A espaçonave precisa estar pronta para voar até setembro de 2019, ano em que se completa o cinquentenário do primeiro pouso do homem na Lua.
"É um modelo novo de missão, com os olhos para o futuro, que pode trazer muitos benefícios para o país", disse Lucas. "Isso sem falar no impacto educacional de inspirar uma nova geração a olhar para o céu e acreditar que nada é realmente impossível, se você tem foco e dedicação".
O custo estimado do projeto é de R$ 35 milhões, que já começaram a ser levantados com órgãos de fomento à pesquisa e patrocinadores privados.
Já se comprometeram a participar do esforço, além da EESC, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Instituto Mauá de Tecnologia e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Matéria colhida na íntegra em: Inovação Tecnológica

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O cérebro é único e muda com o tempo

A individualidade cerebral é "esculpida" ao longo do tempo, mudando a uma taxa média de 13% a cada 100 dias. 
[Imagem: Carnegie Mellon University]
Usando uma nova técnica de imageamento médico, pesquisadores confirmaram que as conexões estruturais no cérebro são únicas para cada pessoa.

E as conexões neurais de cada pessoa são tão únicas que é possível identificar alguém com base nessa "impressão digital cerebral" com uma precisão quase perfeita.

Contudo, diferentemente das impressões digitais tradicionais - dos dedos - a análise mostrou que essas características individuais do cérebro mudam ao longo do tempo.

Esta é uma boa notícia quando o objetivo é compreender o papel desempenhado por fatores que caracterizam o desenvolvimento de doenças - como o ambiente e as experiências impactam o cérebro, por exemplo.

A equipe da Universidade Carnegie Mellon (EUA) usou uma técnica chamada "ressonância magnética por difusão" para medir o conectoma local de 699 cérebros - o conectoma localsão as conexões ponto-a-ponto ao longo de todas as rotas da substância branca no cérebro, em contraposição às conexões entre diferentes regiões do cérebro.

É este conectoma local - que outros pesquisadores já haviam comparado a uma "internet dentro do cérebro" - que se mostrou exclusivo de cada indivíduo, o que permite seu uso como um marcador pessoal. A equipe rastreou mais de 17.000 pontos de identificação, que se mostraram capazes de dizer com quase 100% de precisão se dois conectomas locais vinham da mesma pessoa ou não.

Mesmo gêmeos idênticos só compartilham cerca de 12% dos padrões de conectividade estrutural. E a individualidade cerebral é "esculpida" ao longo do tempo, mudando a uma taxa média de 13% a cada 100 dias.

"A parte mais entusiasmante é que podemos aplicar este novo método a dados existentes e revelar novas informações que estão lá guardadas e inexploradas. A maior especificidade nos permite estudar de forma confiável como fatores genéticos e ambientais moldam o cérebro humano ao longo do tempo, abrindo assim uma porta para entendermos como o cérebro humano funciona ou 'disfunciona'," disse o professor Fang-Cheng Yeh, coordenador da equipe.

Os resultados foram publicados na revista científica PLOS Computational Biology.

Fonte: Diário da Saúde

domingo, 27 de novembro de 2016

Novo mapa-múndi mostra Pegada Humana na Terra

O mapa não é bonito, mas traz informações inéditas.[Imagem: DLR]
A ESA (Agência Espacial Europeia) está disponibilizando um mapa-múndi inédito que mostra a pegada humana sobre a Terra.
Embora serviços como o Google Earth e imagens fornecidas por inúmeros satélites de observação mostrem cada centímetro quadrado da Terra, o mapa "Pegada Urbana Global" (ou GUF: Global Urban Footprint) é diferente.
Trata-se de um mapa em preto e branco, onde o branco é solo e cada ponto escuro representa a presença humana - das grandes aglomerações nas metrópoles mundiais a pequenas aldeias, chegando até a casas isoladas no meio rural - qualquer construção humana com mais de 12 metros aparece no mapa como um ponto característico da presença humana.
A partir deste mês, o conjunto de dados está disponível online, gratuitamente, através da Plataforma de Exploração Temática Urbana (U-TEP) da ESA, com resolução espacial total de 12 metros para uso científico, além de uma versão com resolução de 84 metros, mais fácil de lidar, para qualquer uso sem fins lucrativos.
"Anteriormente não estávamos captando todas as aldeias em áreas rurais," contou Thomas Esch, do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). "Mas elas podem ser cruciais para entender a distribuição populacional ou vetores de doenças, por exemplo, ou avaliar as pressões sobre a biodiversidade. Essas colonizações rurais são ainda, atualmente, lar de quase metade da população global - cerca de 3 bilhões de pessoas."
Mapa-múndi mostra Pegada Humana na Terra
Sinais da pegada humana na região de Delhi, na Índia [Imagem: DLR]
Mesmo os astronautas em órbita acham difícil detectar os sinais de habitação humana fora das grandes cidades - até ao anoitecer, quando se ligam as luzes artificiais. Por isso o mapa foi elaborado utilizando principalmente a visão radar, que pode detectar estruturas verticais típicas de ambientes construídos mesmo com observações feitas nas mais diversas condições climáticas.
Os satélites de radar alemães TerraSAR-X e TanDEM-X capturaram, ao longo de dois anos, mais de 180.000 imagens de alta resolução cobrindo toda a superfície da Terra. As imagens têm resolução quase 100 vezes mais detalhada do que os dados ópticos fornecidos pelo Landsat dos EUA, geralmente usados para mapear as áreas urbanas.
Os dados do radar foram combinados com dados adicionais, como modelos digitais do terreno. Ao todo, a equipe processou mais de 20 milhões de conjuntos de dados, com um volume de entrada de mais de 320 terabytes, incluindo uma verificação de garantia de qualidade automatizada - visando garantir a máxima precisão, como um parâmetro de padrões de urbanização.
A equipe já está trabalhando em uma nova versão do mapa, quando os dados em preto e branco serão sobrepostos a uma nova camada de fotografias da Terra - usando mais de 400.000 imagens multiespectrais do Landsat e do satélite europeu Sentinel-1 - o que dará uma visão realística da paisagem, além da dimensão informacional inédita da pegada humana em cada região.
Esta nova camada servirá de base para o "Pegada Urbana Global +", inicialmente com uma resolução espacial de 30 metros.
Fonte: Inovação Tecnológica

domingo, 20 de novembro de 2016

Estrela é o objeto mais redondo já observado na natureza

A estrela Kepler 11145123 é o objeto natural mais redondo já encontrado no Universo.[Imagem: Mark A. Garlick]
Astrônomos do Instituto Max Planck e da Universidade de Gottingen, na Alemanha, identificaram o corpo celeste mais redondo que se conhece.
Eles mediram o achatamento polar de uma estrela com uma precisão sem precedentes usando uma técnica chamado asterossismologia, que estuda as oscilações das estrelas.
A diferença entre os raios equatorial e polar da estrela é de apenas 3 quilômetros - um número surpreendentemente pequeno em relação ao raio médio da estrela, de 1,5 milhão de quilômetros. Ou seja, a estrela é surpreendentemente redonda.
Ao girar, as estrelas são achatadas pela força centrífuga. Quanto mais rápida a rotação, mais oblata - achatada nos polos - a estrela se torna.
Nosso Sol, por exemplo, gira com um período de 27 dias e tem um raio equatorial 10 km maior do que seu raio polar; para a Terra, essa diferença é de 21 km.
A Kepler 11145123 é uma estrela quente e luminosa, a 5.000 anos-luz de distância da Terra. Ela tem mais de duas vezes o tamanho do Sol, mas gira três vezes mais lentamente que nossa estrela.
Assim como a heliossismologia é usada para estudar o campo magnético do Sol, a asterossismologia - ou sismologia estelar, ou astrossismologia - pode ser usada para estudar o magnetismo de estrelas distantes. Mas campos magnéticos estelares, especialmente campos magnéticos fracos, são notoriamente difíceis de observar diretamente em estrelas distantes. O telescópio Kepler observou essa estrela super redonda durante mais de quatro anos.
Ocorre que, embora em intensidade menor do que a rotação, o campo magnético também influi no formato da estrela. E os astrônomos levantam a hipótese de que o seu campo magnético extremamente fraco pode ser responsável pela incrível esfericidade da estrela.
E a Kepler 11145123 não é a única estrela com medições disponíveis com a precisão adequada a estudos desse tipo. "Pretendemos aplicar este método a outras estrelas observadas pelo Kepler e pelas próximas missões espaciais TESS e PLATO. Será particularmente interessante ver como uma rotação mais rápida e um campo magnético mais forte podem mudar a forma de uma estrela. Um importante campo teórico da astrofísica está se tornando observacional," disse Laurent Gizon, principal autor do trabalho.
Fonte: Inovação Tecnológica

sábado, 12 de novembro de 2016

Maior superlua, em quase 70 anos, acontecerá nesta segunda, 14.

Superlua de outubro/2016
Imagem: Marlon Costa/Futura Press/Estadão
Para você que gostou e fotografou a superlua que ocorreu em outubro, se prepare pois a desta segunda-feira (14) será ainda maior. O fenômeno que estará na janela da sua casa (se não houver nuvens, claro) será o maior dos últimos 68 anos.
Isso porque no auge do perigeu (momento em que a Lua fica mais próxima da Terra) o nosso satélite natural estará a apenas 356.511 km da Terra, segundo o astrônomo Gustavo Rojas, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). A última vez que ele ficou mais perto do que isso foi em 1948, quando a distância do perigeu foi de 356.462 km.
A superlua, entretanto, não será no momento do perigeu, que ocorrerá às 9h21 (horário de Brasília). O fenômeno por definição ocorre no momento da lua cheia, que só aparece às 11h54 – nesta hora, o satélite estará a 363.338 km da Terra.
Para efeito de comparação, a superlua do último mês de outubro ocorreu com o satélite a uma distância de 364.687 km da Terra. Portanto, para perceber que essa é realmente a maior, só mesmo com equipamentos específicos - o que não tira em nada a sua beleza.
Fonte: Uol Notícias

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Crescem dúvidas sobre aceleração da expansão do Universo

O Universo parece estar se expandindo, mas os indícios de que essa expansão esteja se acelerando estão sendo postos em dúvida.[Imagem: JHUAPL/SwRI]
Cinco anos atrás, o Prêmio Nobel de Física foi concedido a três astrônomos pela descoberta, no final dos anos 1990, de que o Universo está se expandindo a um ritmo que se acelera com o tempo.
Suas conclusões foram baseadas na análise das supernovas Tipo Ia - explosões termonucleares espetaculares que marcam a morte de algumas estrelas - captadas pelo telescópio espacial Hubble e por telescópios terrestres.
Isto levou à aceitação generalizada da ideia de que o Universo é dominado por uma substância misteriosa que, por ser desconhecida e não ter sido ainda detectada, recebeu o nome de "energia escura" - a energia escura é o "algo" que estaria acelerando a expansão do Universo.
Agora, uma equipe liderada pelo professor Subir Sarkar, da Universidade de Oxford, lançou dúvidas sobre este conceito cosmológico padrão.
Fazendo uso de um conjunto de dados muito maior - um catálogo de 740 supernovas Tipo Ia, mais de 10 vezes o tamanho da amostra usada pelos ganhadores do Nobel - os pesquisadores concluíram que a evidência para a aceleração da expansão do Universo é muito mais frágil do que se pensava, com os dados na verdade sendo consistentes com uma taxa de expansão constante.
Quem explica as conclusões é o próprio professor Sarkar, em uma nota publicada pela Universidade de Oxford.
"A descoberta da aceleração da expansão do Universo ganhou o Prêmio Nobel, o Prêmio Gruber de Cosmologia e o Prêmio Descoberta em Física Fundamental. Isso levou à aceitação generalizada da ideia de que o Universo é dominado por uma 'energia escura' que se comporta como uma constante cosmológica - este é atualmente o 'modelo padrão' da Cosmologia.
"No entanto, existe agora um banco de dados de supernovas muito maior sobre o qual [podemos] realizar análises estatísticas rigorosas e detalhadas. Nós analisamos o mais recente catálogo de 740 supernovas Tipo Ia - mais de 10 vezes maior do que as amostras originais em que a alegação da descoberta foi baseada - e descobrimos que a evidência para a expansão acelerada é, no máximo, o que os físicos chamam de '3 sigmas'. Isto é muito aquém do padrão '5 sigmas' necessário para reivindicar uma descoberta de importância fundamental.
"Um exemplo análogo, neste contexto, seria a recente sugestão para uma nova partícula com massa de 750 GeV baseada em dados do LHC. Ela inicialmente tinha uma significância elevada - 3,9 e 3,4 sigmas em dezembro do ano passado - e estimulou mais de 500 trabalhos teóricos. No entanto, foi anunciado em agosto que novos dados mostram que a significação caiu para menos de 1 sigma. Foi apenas uma flutuação estatística, e não existe essa partícula," explicou Sarkar.
Crescem dúvidas sobre aceleração da expansão do Universo
Teoria desenvolvida por físicos brasileiros prevê que a energia do vácuo quântico pode ser "acordada" por uma estrela de nêutrons. [Imagem: NASA/CXC/CfA/P. Slane et al.]
Embora outros trabalhos já tenham levantado dúvidas sobre a significância das supernovas do Tipo 1A para a expansão da aceleração do Universo, há outros dados disponíveis que parecem apoiar a ideia, como informações sobre a radiação cósmica de fundo, o chamado "brilho do Big Bang", e medições do movimento de galáxias (veja citação bibliográfica abaixo, do artigo da professora Tamara Davis, da Universidade de Queensland, que analisa todos esses indícios).
No entanto, o professor Sarkar afirma que eles também não são conclusivos.
"Todos esses testes são indiretos, realizados no âmbito de um modelo presumido, e a radiação cósmica de fundo não é diretamente afetada pela energia escura. Na verdade, há de fato um efeito sutil, o efeito final integrado Sachs-Wolfe, mas ele não foi convincentemente detectado.
"Por isso, é bem possível que nós estejamos sendo enganados e que a aparente manifestação da energia escura seja uma consequência da análise dos dados em um modelo teórico simplista - que foi de fato construído na década de 1930, muito antes de existirem quaisquer dados reais. Uma estrutura teórica mais sofisticada, levando em conta a observação de que o Universo não é exatamente homogêneo e que o seu componente de matéria pode não se comportar como um gás ideal - dois pressupostos fundamentais da cosmologia padrão - pode muito bem ser capaz de levar em conta todas as observações sem a necessidade da energia escura. Na verdade, a energia do vácuo é algo sobre qual não temos absolutamente nenhum entendimento em teoria fundamental.
"Naturalmente, muito trabalho terá que ser feito para convencer a comunidade de física de tudo isto, mas o nosso trabalho serve para demonstrar que um dos principais pilares do modelo cosmológico padrão é bastante instável. Esperamos que isto motive melhores análises dos dados cosmológicos, bem como sirva como inspiração para os teóricos investigarem modelos cosmológicos mais matizados. Progressos significativos serão feitos quando o telescópio E-ELT fizer observações com um 'pente laser' ultrassensível para medir diretamente, durante um período de 10 a 15 anos, se a taxa de expansão está de fato se acelerando," concluiu o professor Sarkar.
Crescem dúvidas sobre aceleração da expansão do Universo
Os esforços para detecção direta da Energia Escura até agora foram em vão. [Imagem: Reidar Hahn/DES]
Dúvidas sobre aceleração do Universo
Apesar de ser a teoria mais aceita, a aceleração da expansão do Universo não é unânime entre os físicos e astrônomos.
Em 2011, um estudo de astrônomos brasileiros questionou a aceleração da expansão do Universo, sobretudo porque não há uma comprovação direta da teoria. Em 2013, um cosmologista alemão foi ainda mais longe, defendendo que o Universo não está nem mesmo se expandindo, menos ainda se acelerando.
Em 2014, pesquisadores chineses elaboraram uma nova técnica que eles acreditam poder ser usada para avaliar de uma vez por todas se o Universo está mesmo acelerando ou não, uma técnica que não depende das supernovas Ia. Em 2015, outro trabalho lançando dúvidas sobre o papel das supernovas Tipo 1A propôs que a aceleração do Universo não é constante.
Fonte: Inovação Tecnológica

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Urologistas já chamam exame do toque retal de "relíquia clínica"

O Dr. Ryan Terlecki afirma que o exame de toque retal é uma "relíquia clínica". 
[Imagem: Wake Forest Baptist Health]
Parece estar em curso uma revolução em uma das principais questões envolvendo os cuidados com a Saúde do Homem.

Se, de um lado, os especialistas defendem que o tratamento para o câncer de próstata nem sempre é necessário, agora é a prevenção que está passando por uma reavaliação.

O temido exame de toque retal, para verificar indícios de câncer de próstata, e que costuma afastar tantos homens do consultório médico, está tendo sua eficácia contestada.

"As evidências sugerem que, na maioria dos casos, é hora de abandonar o exame de toque retal," explica o urologista Ryan Terlecki, da Escola de Medicina Wake Forest (EUA). "Nossas descobertas provavelmente serão bem recebidas tanto pelos pacientes quanto pelos médicos."

Terlecki afirma que o toque retal, que muitos urologistas já chamam de "relíquia clínica", submete um grande número de homens a exames invasivos e desconfortáveis em nome de um benefício mínimo.

Além disso, ele faz com que muitos homens fujam de qualquer campanha de prevenção do câncer da próstata.

A questão que a equipe de Terlecki se colocou é se o exame de toque retal é necessário quando está disponível um outro teste mais preciso, que mede o antígeno específico da próstata (PSA) no sangue. O PSA é uma proteína que frequentemente atinge níveis elevados em homens com câncer da próstata.

A equipe revisou toda a literatura médica que permitisse essa comparação, juntamente com resultados de um ensaio de rastreio no qual 38.340 homens fizeram simultaneamente exames anuais de toque retal e testes de PSA por pelo menos três anos. Esses homens foram então acompanhados por até 13 anos.

Dentre todos, a equipe centrou sua atenção em 5.064 homens que tinham um teste de PSA normal, mas resultados "anormais" no toque retal.

Apenas 2% dos homens com exame retal considerado anormal tinham o que é conhecido como câncer de próstata clinicamente relevante, o que significa que ele pode precisar ser monitorado ou tratado - em outras palavras, o exame de toque retal identificou apenas 2% de casos não identificados pelo exame PSA.

"O exame de toque retal captura uma pequena população adicional de homens com câncer de próstata, mas também submete desnecessariamente um grande número de homens ao teste", concluiu Terlecki.

Por outro lado, outros estudos têm feito ressalvas à adoção do exame de PSA como rotina, devido justamente aos falsos positivos e aos sobretratamentos que ele induz.

Os resultados foram publicados na revista médica Current Medical Research and Opinion.

Fonte: Diário da Saúde

sábado, 29 de outubro de 2016

Será que o ser humano poderá mesmo viver no espaço?

O ser humano foi talhado para viver na Terra - viver fora dela exigirá vencer muitos desafios.
[Imagem: NASA]
Quais e quantas lembranças os astronautas conseguiriam ter após retornar de uma viagem a Marte?

Parece uma pergunta irrelevante, mas esta é uma das maiores preocupações dos especialistas devido a um fenômeno conhecido como "cérebro espacial" (space brain), que descreve os sintomas após uma exposição prolongada aos raios cósmicos.

Esses raios carregam tanta energia que podem penetrar o casco de uma nave espacial. De acordo com cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), a exposição a partículas carregadas de alta energia - os raios cósmicos não são exatamente raios, mas partículas - pode causar danos de longo prazo ao cérebro.

Entre os efeitos do cérebro espacial estão alterações cognitivas e demência. Possíveis danos causados pelos raios cósmicos ao corpo já eram conhecidos, mas acreditava-se que eram de curto prazo.

Em experimentos em camundongos, porém, Charles Limoli e sua equipe descobriram que os níveis de inflamação no cérebro continuavam significativamente elevados e danosos aos neurônios mesmo após seis meses, afetando comportamento, memória e aprendizagem.

"São más notícias para astronautas que embarcarem em uma viagem de ida e volta a Marte de dois ou três anos", comentou Limoli.

Para o Limoli, entre outros possíveis problemas decorrentes do fenômeno do cérebro espacial estão a diminuição do rendimento, ansiedade, depressão e alterações na hora de tomar decisões.
Será que o ser humano poderá mesmo viver no espaço?
Os testes realizados na Terra não conseguem estudar os efeitos da radiação espacial sobre os astronautas porque o escudo magnético da Terra nos protege deles.
[Imagem: NASA]

"Muitas dessas consequências adversas podem continuar e progredir ao longo da vida. O ambiente espacial traz perigos únicos para os astronautas", afirmou Limoli.

Os pesquisadores também descobriram que a radiação afeta a "extinção do medo", processo pelo qual o cérebro reprime experiências desagradáveis e estressantes do passado - por exemplo, quando alguém sofre uma queda de cavalo e volta a montar.

"O déficit na extinção do medo pode torná-los (astronautas) propensos à ansiedade," assinalou Limoli. "Isso poderia ser problemático em uma viagem de três anos de ida e volta a Marte."

Os raios cósmicos descarregam muita energia ao se chocar com o corpo humano. Na Estação Espacial Internacional, onde os astronautas vivem de seis meses a um ano, eles estão protegidos porque se encontram ainda dentro da magnetosfera da Terra, que atua como escudo contra radiação. O mesmo não aconteceria em uma aventura rumo à Marte.

Construir naves espaciais com uma capa protetora dupla pode não ser útil, pois nada parece resistir a essas partículas de alta energia. Por isso, os especialistas sugerem o desenvolvimento de tratamentos preventivos para proteção do cérebro.

Fonte: Diário da Saúde

sábado, 22 de outubro de 2016

Corpo humano leva 14 dias para se acostumar ao horário de verão

Imagem: Fiocruz
Um estudo realizado aqui no Brasil concluiu que o corpo humano precisa de ao menos 14 dias para se adaptar totalmente ao horário de verão. Enquanto essa adequação não ocorre, são comuns problemas como falta de atenção, de memória e sono fragmentado.
O pesquisador Guilherme Silva Uemura, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, se concentrou em como a mudança no relógio influi na temperatura do corpo humano.
Segundo Uemura, com o adiantar do relógio em uma hora, a temperatura do corpo começa a subir mais cedo do que antes do horário de verão. Isso aponta para uma desestabilização entre os ritmos da temperatura corporal e da atividade de repouso.
No começo do horário de verão, a maior incidência de Sol em horários considerados noturnos faz o organismo atrasar seu ritmo. Isso faz com que a pessoa tenda a ficar mais tempo acordada por sentir sono mais tarde - o que afeta negativamente o sono noturno.
"Essa dessincronização entre diferentes ritmos gera problemas, como distúrbios de sono. A pessoa fica mais propensa a ter défices de atenção, pode ter maior fadiga durante o dia, problemas para dormir, fragmentação do sono e até mesmo a diminuição da duração do sono", disse ele.
A falta de atenção e a fadiga, afirma, podem ser causadores de acidentes de trânsito e acidentes de trabalho.
Os grupos mais afetados são os adolescentes e os jovens adultos, segundo o pesquisador.
Porém, na maioria dos casos, aos poucos o corpo começa a se acostumar com a nova rotina.
"No nosso trabalho nós observamos que 14 dias seria o mínimo necessário para a pessoa se adaptar ao horário de verão", disse Uemura.
Mas, de acordo com ele, embora isso seja menos comum, para algumas pessoas os sintomas podem perdurar até fevereiro, quando ocorre o retorno para o horário normal.
A mudança de horário afeta mais quem tem rotinas mais rígidas de trabalho. Mas, para quem tem maior flexibilidade de tempo, o recomendado é tentar minimizar os efeitos da mudança.
Uma receita é ir acordando 15 minutos mais cedo diariamente, para que a transição ocorra aos poucos.
Fonte: Diário da Saúde