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Olá, seja muito bem-vindo a esse ambiente! Espero que ele possa atender suas expectativas!

sábado, 30 de julho de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Brasil ganha ouro na Olimpíada Internacional de Física. Dois cearenses ficaram com o bronze.

Mônica Pileggi - Agência Fapesp - 28/07/2011

Primeiro ouro
Na 42ª edição da Olimpíada Internacional de Física (IPhO), o Brasil ganhou sua primeira medalha de ouro.
É o primeiro ouro de um país ibero-americano na competição, que desta vez ocorreu em Bangcoc, na Tailândia, de 10 a 18 de julho.
Gustavo Haddad Braga, aluno do Colégio Objetivo de São Paulo, foi responsável pelo feito inédito. Ivan Tadeu (também do Colégio Objetivo de São Paulo), Lucas Hernandes (Colégio Etapa de São Paulo) e os cearenses José Guilherme Alves (Colégio Ari de Sá) e Ricardo Duarte Lima (Colégio Farias Brito) ficaram com o bronze.
Olimpíada Internacional de Física
A Olimpíada Internacional de Física é uma competição anual voltada a estudantes de todo o mundo que estejam cursando o equivalente ao ensino médio brasileiro. Os brasileiros concorreram com 394 alunos de 84 nacionalidades.
"Apenas 8% dos alunos do torneio recebem a medalha de ouro. Isso significa que o Gustavo faz parte de um grupo seleto, onde estão os melhores alunos do mundo na área da física, para o mesmo nível que o dele", disse Euclydes Marega Júnior, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador-geral da Olimpíada Brasileira de Física (OBF).
A seleção para participar da IPhO, da qual o Brasil participa desde 2000, ocorre por meio da OBF. Organizada pela Sociedade Brasileira de Física, a olimpíada nacional tem como objetivos estimular o interesse pela disciplina, aproximar o ensino médio das universidades e descobrir novos talentos para representar o país em torneios ao redor do mundo.
"Na OBF participam cerca de 600 mil jovens. Desse total, selecionamos cinco para representar o Brasil na IPhO. O processo de preparação para a competição internacional leva dois anos e meio", explicou Marega.
Além da IPhO, os brasileiros são preparados para concorrer à Olimpíada Ibero-Americana de Física. Segundo a SBF, nas duas competições, nenhum país da América Latina conquistou tantas medalhas quanto o Brasil.
Física prática
A olimpíada internacional consiste em duas provas, sendo uma delas de conteúdo experimental. Marega salienta a dificuldade dos estudantes brasileiros de executar na prática o que aprendem nas salas de aula.
"A física é uma ciência da natureza. Em nosso sistema de ensino, o aluno aprende apenas a teoria, sem a experimentação. Isso ocorre também em disciplinas como a química e a biologia", pontuou.
Embora o desempenho do Brasil na 42ª IPhO tenha sido de destaque, Marega ressalta a carência de talentos e a necessidade de melhorias no sistema educacional do país.
"Uma competição como essa pode servir como estímulo aos professores para que se dediquem mais ao preparo dos estudantes", disse.
Mais informações no endereço www.sbfisica.org.br.
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quarta-feira, 27 de julho de 2011

ENEM é requisito para bolsas no exterior

Foto: Google Imagens

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, lançou nesta terça-feira, em Brasília (DF), o programa "Ciência sem Fronteiras", que financiará bolsas de intercâmbio em universidades do exterior. Para ter acesso a uma das 100 mil bolsas previstas no programa, o estudante terá que mostrar bom desempenho acadêmico. Para os cursos de graduação, por exemplo, a nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será um dos requisitos.

De acordo com as informações divulgadas hoje, para conquistar uma das 27,1 mil bolsas de graduação no exterior, o estudante precisa ter atingido nota acima de 600 pontos no Enem. Além disso, o aluno deve ter completado no mínimo 40% e no máximo 80% dos créditos necessários para obter o diploma. Premiação em olimpíadas científicas, como de matemática, e o bom desempenho em programas de iniciação científica são diferenciais que serão levados em conta.

A bolsa para estudantes de graduação terá duração de um ano, sendo de 6 a 9 meses de atividades acadêmicas e o restante de estágios em empresas ou centros de pesquisa. O benefício inclui passagem aérea, bolsa mensal, seguro-saúde, auxílio instalação e taxas de uso de infraestrutura. Os créditos realizados no exterior serão reconhecidos pelas universidades brasileiras.

Além das bolsas de graduação, serão oferecidas 24,6 mil bolsas de doutorado de um ano de duração, 9.790 bolsas de doutorado integral (4 anos de duração), 8,9 mil bolsas de pós-doutorado (até dois anos de duração), 2.660 bolsas de estágio (com seis meses de duração), 700 bolsas para treinamento de especialistas (até um ano de duração), 860 bolsas para jovens cientistas e 390 para pesquisadores visitante no Brasil (brasileiros radicados no exterior que assumem o compromisso de desenvolver pesquisas no País).

Melhores universidades do mundo
De acordo com o ministério, os estudantes terão seu treinamento nas melhores instituições de ensino, prioritariamente entre as 50 mais bem classificadas nos rankings da Times Higher Education e QS World University Rankings. Entre as universidades estão Cambridge e Oxford, no Reino Unido; Harvard, MIT (sigla em inglês para Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e Stanford, nos Estados Unidos.InscriçõesAs inscrições serão realizadas no segundo semestre deste ano, mas o calendário ainda não foi definido. Quarenta mil bolsas serão gerenciadas pela Capes, 35 mil pelo CNPq e as outras 25 mil serão destinadas a uma parceria com a iniciativa privada.


Fonte: Terra
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Cientistas descobrem maior reservatório de água do Universo


Cientistas descobriram um quasar com o maior e mais distante reservatório de água do Universo, a mais de 12 bilhões de anos-luz de distância. Gás e poeira formam nuvens ao redor do buraco negro central do quasar. A água, em forma de vapor, equivale a 140 trilhões de vezes toda a água do oceano da Terra.



Foto e texto: www.miseria.com.br em 27/07/11
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terça-feira, 26 de julho de 2011

O Bóson de Higgs e as outras "não descobertas" do LHC

Da New Scientist - 26/07/2011

"Descobertas" que não se revelam
O LHC já redescobriu as partículas subatômicas fundamentais, mas nada ainda das novas partículas previstas pela teoria. [Imagem: CERN]
O bóson de Higgs ainda não foi encontrado. Tudo o que apareceram até agora foram "flutuações" nos gráficos que os milhares de cientistas que monitoram os grandes detectores do LHC olham com avidez.
Flutuações já surgiram antes, e já foram devidamente aplainadas quando uma quantidade maior de dados foi coletada.
Mas talvez devêssemos começar a nos preocupar mais com outras coisas que o Grande Colisor de Hádrons ainda não encontrou.
Esta foi a principal mensagem ao fim da esperada conferência do LHC, em Grenoble, na França, onde os físicos se reuniram para ruminar e, eventualmente, digerir os primeiros resultados do maior laboratório científico do mundo.
Questões de massa
Encontrar o Bóson de Higgs, também chamada de Partícula de Deus, poderá completar o "Modelo Padrão", que contém os nossos melhores palpites sobre como explicar as partículas fundamentais e as forças da natureza.
Mas já sabemos que algumas outras questões de muito peso permanecem fora do alcance do modelo padrão - ou, talvez devêssemos dizer, questões de muito mais massa do que o Bóson de Higgs.
Entre elas está a relação entre a intensidade das diferentes forças no Universo e a natureza da matéria escura, que se acredita formar nada menos do que três quartos da sua massa.
Supersimetria
Para responder a estas questões, os físicos estão de olho em uma outra grandiosa construção teórica, conhecida como supersimetria.
A supersimetria propõe que cada partícula prevista pelo modelo padrão tem um parente "bombado", que aparece apenas em energias extremamente altas.
Mas o LHC não encontrou tais super-partículas.
"Squarks" e "gluínos", os primos fortes dos quarks e glúons do modelo padrão, foram descartados a energias de até 1 tera eléctron-volt (TeV), de acordo com uma análise do primeiro ano de colisões do LHC.
Esta é exatamente a faixa de energia na qual a família mais simples de modelos supersimétricos prevê que essas partículas deveriam ser encontradas.
Energias mais altas e modelos mais complexos ainda precisam ser explorados, mas "o ar está ficando rarefeito para a supersimetria", disse Guido Tonelli, da colaboração CMS, um dos grandes detectores do LHC.
Partículas da gravidade
O LHC já redescobriu as partículas subatômicas fundamentais, mas nada ainda das novas partículas previstas pela teoria. [Imagem: CERN]
Ao mesmo tempo, abaixo de uma energia de 2 TeV, não há ainda nenhum sinal dos grávitons - partículas que "transmitiriam" a gravidade e que são essenciais para uma teoria quântica dessa força.
Tantas partículas "faltantes" estão fazendo físicos se perguntarem se eles estão fazendo as perguntas certas.
Mas Rolf-Dieter Heuer, diretor-geral do CERN, aconselha a evitar conclusões precipitadas.
Com a máquina ainda acelerando rumo à sua potência total, o LHC produziu apenas um milésimo dos dados que, eventualmente, ele deverá gerar. "Alguma coisa virá", profetizou ele. "Nós apenas temos que ser pacientes."
Bóson de Higgs
No caso do Bóson de Higgs, pelo menos, ele está confiante de que algo virá mais cedo ou mais tarde.
O LHC já encontrou alguns vislumbres do que poderia vir a ser essa partícula elusiva - as tais flutuações nos gráficos - mas os resultados ainda são frágeis demais para confirmar ou para negar sua existência.
Heuer preferiu transferir a expectativa para a reunião do ano que vem, afirmando que a questão shakesperiana do Bóson de Higgs - ser ou não ser - "deverá ser respondida até o final do ano que vem".
Fonte: Inovação Tecnológica
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Estádio da Copa de 2014 é testado em túnel de vento

Com informações do IPT - 21/07/2011


O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), iniciou uma série de ensaios em uma maquete do Estádio Plácido Aderaldo Castelo – o Castelão, dentro de um túnel de vento. [Imagem: IPT]

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), iniciou uma série de ensaios em seu túnel de vento sobre esforços de vento em uma maquete do Estádio Plácido Aderaldo Castelo - o Castelão, na cidade de Fortaleza.
O objetivo do estudo é fornecer os coeficientes de pressão que darão segurança na concepção da cobertura ao projetista.
As obras de reforma, ampliação e adequação do estádio, que atingem cerca de 30% da estrutura original, tiveram início em dezembro de 2010 e os custos totais do investimento são estimados em R$ 518 milhões, segundo dados do Governo do Estado do Ceará.
Com 165 mil metros quadrados de área construída, o estádio terá uma área de cobertura do público de 55 mil metros quadrados, capaz de proteger os assentos dos 63 mil espectadores.
Telhado pendurado
O projeto do estádio foi concebido de modo que seus diversos pórticos se interligam na estrutura do concreto e "penduram" o telhado.
Para a execução de uma série de ensaios estáticos no IPT, os pesquisadores do túnel de vento simularam primeiramente a camada de limite atmosférica da região onde o estádio está localizado. Para isso, instalaram no piso do túnel de vento quatro geradores de vórtices e 580 blocos que caracterizam a rugosidade do local.
As medições do perfil de velocidade do vento, intensidade de turbulência e comprimento de rugosidade, que são algumas das características do vento natural, foram realizadas com o anemômetro de fio quente e o Tubo de Pitot.
Com a confirmação dos resultados da simulação, a equipe partiu para a instalação no túnel de vento da maquete do estádio, construída em escala 1:200, na qual estão instaladas 180 tomadas de pressão.
"Como o estádio tem uma estrutura praticamente simétrica, fizemos uma divisão da cobertura para medição em algumas seções. Isso permitirá a transferência de dados para outros pontos, o que irá equivaler a um número entre 350 e 400 tomadas de pressão", afirma Paulo Jabardo, pesquisador do IPT.
Ensaios em túnel de vento
Os ensaios no túnel de vento iniciaram efetivamente nesta quarta-feira.
"A cobertura é basicamente uma superfície e vamos medir as pressões em seus lados interno e externo", explica o pesquisador.
Para a execução dos primeiros ensaios em um estádio no túnel de vento do IPT, um dos principais desafios será justamente a coleta de dados na área interna da estrutura: ao contrário dos testes em edifícios feitos regularmente no Instituto, nos quais a coleta de dados depende de variáveis como portas ou janelas abertas e presença de móveis, a área interna no estádio demandará um maior rigor das informações pelo fato de ser totalmente aberta.
Os testes realizados no IPT são referenciados em função da norma NBR 6123:1988, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estipula as condições exigíveis na consideração das forças devidas à ação estática e dinâmica do vento, para efeitos de cálculo de edificações. Com a posse do laudo final fornecido pelo CMF, os responsáveis pela obra irão cruzar os dados com as informações das rajadas de vento na região para então projetarem a cobertura final.
Projeto nacional
O Castelão é um projeto desenvolvido e executado por arquitetos e escritórios de engenharia no Brasil. Segundo Flavio D'Alambert, engenheiro estrutural do projeto, a escolha de instituições como o IPT permite acompanhar pari passu os ensaios e traçar estratégias para otimizar a formatação dos dados coletados: "Os ensaios feitos fora do país também fornecem dados confiáveis, mas as informações não estarão disponíveis caso ocorram problemas de interferência e decida-se fazer uma ampliação ou redução das instalações; nestes casos, uma 'caixa preta' é recebida, e torna-se necessário trazer os responsáveis do exterior para atuarem novamente no projeto".
D'Alambert ressalta ainda a importância da execução de ensaios das estruturas em túneis de vento para a obtenção de projetos econômicos e seguros. Caso contrário, explica ele, os riscos são o superdimensionamento da estrutura, com aumento nos custos da obra, e a ocorrência de efeitos localizados críticos não-previstos, o que pode gerar problemas estruturais no futuro.
Texto: Site Inovação Tecnológica
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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Realização da 1ª fase da OBMEP 2011

No dia 16 de agosto de 2011, os alunos das escolas públicas de todo o país realizarão a prova da primeira fase da Olimpíada Brasileira de Matemática.


A OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS (OBMEP) é um projeto que tem como objetivo estimular o estudo da matemática e revelar talentos na área.
Dentre as realizações da OBMEP destacam-se:
  • a produção e distribuição de material didático de qualidade, também disponível neste site;
  • o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), para os medalhistas estudarem Matemática por 1 ano, com  bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
  • o Programa de Iniciação Científica – Mestrado (PICME), para medalhistas que estejam cursando graduação com bolsas do CNPq (IC) e CAPES (Mestrado);
  • a Preparação Especial para Competições Internacionais (PECI), que prepara medalhistas de ouro selecionados pela excepcionalidade de seus talentos para competições internacionais;
  • a mobilização de Coordenadores Regionais para a realização de atividades como seminários com professores e cerimônias  de premiação;
Iniciada em 2005, a OBMEP vem crescendo a cada ano criando um ambiente estimulante para o estudo da Matemática entre alunos e professores de todo o país. 
Em 2010, cerca de 19,5 milhões de alunos se inscreveram na competição e mais de 99% dos municípios brasileiros estiveram representados.
Os sucessivos recordes de participação fazem da OBMEP a maior Olimpíada de Matemática do mundo.

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Físicos domam a decoerência e abrem caminho para computação quântica

Redação do Site Inovação Tecnológica - 21/07/2011

  Superposição, entrelaçamento e decoerência
A decoerência quântica é um fenômeno que pode fazer uma ponte entre o mundo regido pela mecânica quântica e o mundo regido pela mecânica clássica. [Imagem: Till Jahnke/University Frankfurt]

No futuro, estão os computadores quânticos. Entre nós e eles, entre outros obstáculos, está um fenômeno chamado decoerência.
Os computadores quânticos não terão bits, terão qubits.
Um bit quântico tem a estranha capacidade de guardar um 0 e um 1 ao mesmo tempo - é isto que lhes permitirá fazer cálculos a uma velocidade que fará os supercomputadores de hoje parecerem ábacos.
A mecânica quântica estabelece que a matéria pode estar em mais de um estado físico ao mesmo tempo - pense, por exemplo, em uma "moeda quântica", que seria capaz de dar cara e coroa ao mesmo tempo.
Esse estado "misto", chamado de estado de superposição, é bem conhecido dos físicos, e funciona muito bem em objetos pequenos - elétrons, por exemplo.
Mas sistemas físicos maiores e mais complexos - qubits, por exemplo - parecem estar em um estado físico consistente porque interagem e se "entrelaçam" com outros objetos em seu ambiente.
Este entrelaçamento - há quem prefira emaranhamento - faz com que esses objetos mais complexos "decaiam" para um único estado - cara ou coroa, por exemplo. É este processo de quebra da "mágica quântica" que os físicos chamam de decoerência.
A decoerência é uma espécie e ruído, ou interferência, atrapalhando as sutis inter-relações entre as partículas quânticas. Quando ela entra em cena, a partícula que estava no ponto A e no ponto B ao mesmo tempo, subitamente passa a estar no ponto A ou no ponto B.
Ora, eliminada a superposição, cai por terra também o promissor potencial dos computadores quânticos.

Controlando a decoerência
A decoerência é uma espécie e ruído, ou interferência, atrapalhando as sutis interrelações entre as partículas quânticas. [Imagem: QNL/Berkeley]  
 

Agora, pela primeira vez, um grupo de físicos conseguiu domar a decoerência em um sistema com muitas moléculas - um sistema quântico complexo, como os usados nos primeiros experimentos de computação quântica.
"Pela primeira vez fomos capazes de prever e controlar todos os mecanismos ambientais da decoerência em um sistema muito complexo, neste caso uma grande molécula magnética chamada 'molécula de ferro-8'," explicou Phil Stamp, físico da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá.
A molécula de ferro-8 é um cristal magnético individual, algo como um ímã molecular. Como são puras, essas moléculas ficam praticamente imunes à decoerência externa. Desta forma, os cientistas puderam trabalhar detalhadamente com a decoerência interna, que faz a superposição quântica colapsar "de dentro para fora", por assim dizer.
Os pesquisadores calcularam todas as fontes de decoerência em seu experimento como uma função da temperatura, do campo magnético e pela concentração nuclear isotópica.
Com esses dados, eles identificaram as condições ótimas para operar os qubits, reduzindo a decoerência em aproximadamente 1.000 vezes.

Hardware da computação quântica
A molécula de ferro-8 é um cristal magnético individual, algo como um ímã molecular. [Imagem: UBC] 


"Nossa teoria também prevê que poderemos suprimir o decoerência, e levar a taxa de decoerência no experimento a níveis muito abaixo do limiar necessário para o processamento de informação quântica, através da aplicação de fortes campos magnéticos," afirmou.
No experimento, os pesquisadores prepararam uma série cristalina de moléculas de ferro-8 em uma superposição quântica, onde a magnetização líquida de cada molécula foi simultaneamente orientada para cima e para baixo.
O decaimento dessa superposição, causado pela decoerência, foi então observado no tempo - e a decadência foi incrivelmente lenta, comportando-se exatamente como a nova teoria prevê.
O resultado experimental são qubits que permanecem intactos por até 500 microssegundos, uma "eternidade" em termos quânticos - imagine que as memórias eletrônicas atuais operam na faixa dos nanossegundos.
"As moléculas magnéticas agora parecem ter um sério potencial como candidatas para o hardware da computação quântica," disse Susumu Takahashi, coautor do estudo.

Big Bang
Mas o estudo tem também um largo alcance também na física fundamental, para o entendimento do mundo conforme viajamos da escala atômica para a escala humana, e daí até a escala cósmica.
"A decoerência ajuda a unir o universo quântico dos átomos e o universo clássico dos objetos cotidianos com os quais interagimos," explicou Stamp. "Nossa capacidade de entender tudo, do átomo ao Big Bang, depende do nosso entendimento da decoerência, e os avanços na computação quântica dependem da nossa capacidade de controlá-la."
 
Bibliografia:

Decoherence in crystals of quantum molecular magnets
S. Takahashi, I. S. Tupitsyn, J. van Tol, C. C. Beedle, D. N. Hendrickson, P. C. E. Stamp
Nature Physics
20 July 2011
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature10314
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Brilho na ionosfera anuncia tsunami com uma hora de antecedência

Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/07/2011


A linha vermelha representa a localização do tsunami ao nível do oceano no momento em que a imagem foi feita.
[Imagem: Jonathan Makela]

Luminescência na ionosfera
Uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo um cientista brasileiro, descobriu que pode ser possível detectar mais rapidamente um tsunami olhando para o ar do que para a água.
O grupo descobriu que a formação do tsunami gera uma "assinatura" característica na forma de uma leve luminescência, uma espécie de brilho, nas camadas mais altas da atmosfera.
A luminescência precede o tsunami em cerca de uma hora, sugerindo que a tecnologia poderá ser usada como um sistema de alerta complementar para a população.
Os pesquisadores usaram uma câmera especial em Maui, no Havaí, para captar a assinatura gerada pelo terremoto de 11 de Março, que gerou um tsunami que devastou grandes áreas de Japão.
A luminescência foi detectada a 250 quilômetros de altitude.
Ondas de grande amplitude
Tsunamis podem gerar ondas de amplitudes significativas na atmosfera superior - neste caso, gerando o brilho na camada de ar.
Conforme um tsunami se move através do oceano, ele produz ondas de gravidade atmosféricas, forçadas pelas ondulações na superfície do oceano, mesmo que estas tenham poucos centímetros de altura.
As ondas podem alcançar vários quilômetros de altitude, onde a atmosfera neutra coexiste com o plasma na ionosfera, causando perturbações que geram o brilho.
Os cientistas verificaram que as propriedades das ondas na alta atmosfera coincidiam com as medições do tsunami ao nível do mar, confirmando que o brilho foi originado pela onda gigante.
Céu claro e sorte
A observação confirma uma teoria desenvolvida na década de 1970, que propõe que a assinatura de tsunamis pode ser observada na atmosfera superior, especificamente na ionosfera. Mas, até agora, a teoria só havia sido demonstrada usando sinais de rádio transmitidos por satélites.
"Gerar uma imagem dessa resposta usando a luminescência é muito mais difícil porque a janela de oportunidade para fazer as observações é muito estreita," explica Jonathan Makela, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, nos Estados Unidos. "Nossa câmera estava no lugar certo, na hora certa."
Na noite do tsunami, as condições acima do Havaí estavam ótimas para permitir o registro da luminescência: eram quase 02:00 horas da madrugada, sem a lua e sem nuvens obstruindo a visão do céu noturno.
De cima para baixo
O grande inconveniente de usar o brilho da ionosfera como um sistema de alerta de tsunamis é que ele somente seria eficaz em noites de céu muito claro.
Os cientistas afirmam que a alternativa é colocar uma câmera especial a bordo de um satélite geoestacionário, que poderia monitorar continuamente grandes regiões oceânicas.
O estudo contou com a participação do pesquisador Alan Kherani, do Instituto Nacional de Pesquisais Espaciais (INPE).
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Bill Gates quer reinventar o vaso sanitário

Redação do Site Inovação Tecnológica - 20/07/2011



Banheiro sem água e sem esgoto
A Fundação Bill & Melinda Gates anunciou que irá custear uma pesquisa para "reinventar a privada".
O objetivo do projeto é desenvolver novas tecnologias para o processamento de dejetos humanos sem qualquer ligação a linhas de água, energia ou esgoto.
Para Gates, a privada ideal para os países em desenvolvimento deve ser auto-sustentável, de custo acessível e sem ligações a linhas de energia, água ou esgoto, que quase nunca estão disponíveis nas condições em que o novo sanitário deverá ser utilizado.
Plasma de micro-ondas
A tarefa de reinventar o vaso sanitário caberá a um grupo de cientistas e engenheiros da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, sob a coordenação do professor Georgios Stefanidis.
"Vamos aplicar a tecnologia de micro-ondas para transformar os dejetos humanos em eletricidade. A partir desta inovação, pretendemos idealizar o design e construir um protótipo modular para um banheiro completo que satisfaça as urgentes necessidades do mundo em desenvolvimento," afirmou Stefanidis.
Inicialmente os dejetos humanos serão secos. Em seguida, os resíduos sólidos serão gaseificados utilizando plasma, criado por micro-ondas em um reator apropriado.
Este processo vai gerar o chamado gás de síntese, uma mistura de monóxido de carbono (CO) e hidrogênio (H2). O gás de síntese será então usado para alimentar um conjunto de células de combustível de óxidos sólidos (SOFC: solid oxide fuel cell) para a geração de eletricidade.
"Para que o processo seja energeticamente auto-suficiente, parte da eletricidade produzida será usada para ativar a gaseificação a plasma, enquanto o calor recuperado do fluxo de gás de síntese e dos gases de escape das células de combustível será usado para a secagem dos resíduos," explica o pesquisador.
Privada barata
Aproximadamente 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso ao saneamento básico. O impacto negativo dessa situação sobre a saúde dessas populações é enorme.
Para mudar esta situação, Bill Gates e sua esposa acreditam que a solução é reinventar o vaso sanitário.
E, como o projeto é voltado para atender às necessidades dos países em desenvolvimento, uma das exigências é que o banheiro sem água e sem esgoto possa ser construído a custos acessíveis.
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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Carro elétrico para Fórmula 1 começa a ser discutido

Com informações da New Scientist - 18/07/2011



Fórmula 1 elétrico 
A F1 é usada para laboratório de testes para os automóveis de rua, e os carros elétricos começam a chamar a atenção. [Imagem: ATT Williams/Divulgação]




O sucesso do sistema derecuperação de energia KERS está levando os executivos da Fórmula 1 a especularem sobre um carro F1 totalmente elétrico.
"Nós definitivamente teremos um F1 elétrico um dia," afirmou Nick Fry, chefe da equipe Mercedes e que liderou a equipe Brawn durante a conquista do campeonato mundial da categoria em 2009.
"Para começar, nós vamos introduzi-lo em paralelo com os Fórmula 1 tradicionais, como aconteceu com a versão elétrica das corridas de motocicleta, que ocorrem paralelamente com a categoria TT. No início todo o mundo viu a TT elétrica como uma espécie de piada, mas agora todos a estão levando muito a sério," afirmou Fry.
Sistema KERS
O grande catalisador dessa mudança é o sistema KERS: Kinetic Energy Recovery System, sistema de recuperação de energia cinética, que pode funcionar com base em baterias ou em rodas voadoras.
O sistema KERS é formado por um híbrido motor/gerador ligado ao eixo principal do motor e um conjunto de baterias de íons de lítio, instalado junto ao assoalho do carro.
Quando o piloto aciona os freios, o gerador converte a energia cinética em eletricidade para carregar as baterias. Quando precisa de uma energia extra, o mecanismo se inverte e a energia das baterias gira o motor/gerador, dando uma força extra diretamente ao eixo do motor.
Na atual temporada de Fórmula 1, o piloto pode usar o sistema durante 6,6 segundos, o que lhe dá um impulso extra de 60 kilowatts - 80 HPs, para os ainda ligados nos motores a combustão.
Impulso para os carros elétricos
Apesar de que algumas falhas nos sistemas KERS já tenham prejudicado alguns pilotos, ele funciona melhor do que os projetistas esperavam.
Como as corridas sempre foram um laboratório para as fábricas, os sistemas de recuperação cinética já chegaram à indústria de carros de rua, nos chamadosveículos híbridos. E poderão fazer muito mais pelos carros elétricos.
"Então, imagine [os benefícios de] uma competição de carros projetada inteiramente ao torno de veículos elétricos," disse Fry.
Os benefícios do KERS já foram além da indústria automobilística: até um pé artificial já utiliza o sistema KERS para auxiliar o movimento das pessoas que recebem a prótese.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Governo assegura melhorias para professores da rede estadual

No site da SEDUC, data de 13 de julho 2011, encontram-se algumas informações acerca de benefícios assegurados, até agora, pelo Governo do Estado do Ceará para os professores da rede Estadual de Ensino. Confiram.


AÇÕES DE VALORIZAÇÃO DO GRUPO MAGISTÉRIO DA SEDUC - JUNHO 2011


1.  IMPLANTAÇÃO DA APOSENTADORIA

A Secretaria de Educação (Seduc) trabalha em regime de mutirão, com o objetivo de fazer cumprir a Lei Nº 92, de 25 de janeiro de 2011, a qual estipula um prazo máximo de 90 dias para a conclusão dos processos de aposentadoria. No mês de maio, foram implantados 14.463 processos de aposentadoria de servidores, desse total, 10.781 pertencem ao magistério.


Com a Lei, o interessado que preencha todos os requisitos necessários para aposentar-se, dará entrada em um processo na Seduc, e num prazo de até 90 dias passará à condição de aposentado. Lembramos que durante estes 90 dias, o servidor estará em efetivo exercício de suas funções.



2.PROGRESSÃO HORIZONTAL GRUPO MAGISTERIO SEDUC

As Progressões Horizontais 2009 e 2010 foram concedidas para 100% dos profissionais aptos, pertencentes ao grupo magistério da educação básica da rede estadual de ensino e pagas na folha de pagamento de junho/2010 com recebimento pelos profissionais no dia 01/07/2011.


Os retroativos, referentes as PH 2009 e 2010, serão pagos, através de uma única diferença, em cinco parcelas nas folhas de julho a novembro/2011. Estão sendo beneficiados, respectivamente, nos anos de 2009, um total de 3.197 profissionais e, em 2010 um total de 2.843, com uma repercussão financeira total em torno de R$ 10.381.645,54.



3. EQUIPARAÇÃO SALARIAL ENTRE O PROFESSOR EFETIVO E TEMPORÁRIO

- Foi implantada a nova tabela salarial do professor temporário equiparando seu salário ao do professor efetivo, que se encontra no nível 13, com pagamento no dia 1º de agosto de 2011.



4. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO PARA JUNHO/2011 DE 50%  DO DÉCIMO TERCEIRO - O pagamento aconteceu no dia 22/06/2011.



5.  APRESENTAÇÃO PROPOSTA DE LEI PARA FINANCIAMENTO DE UM COMPUTADOR PARA OS PROFESSORES EFETIVOS E TEMPORÁRIOS, BEM COMO PARA OS PROFESSORES INATIVOS.



6. ESTUDO DE PROPOSTA PARA PLANO DE CARGOS, CARREIRAS E REMUNERAÇÕES

Atualmente, encontram-se em estudo as propostas para um novo plano de cargos e carreiras, fundamentado, na lei do piso nacional do magistério. No próximo dia 15, será apresentada uma proposta de nova tabela com base na lei do piso.
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terça-feira, 12 de julho de 2011

A maior imagem já feita do Universo


Foi divulgada no 217º encontro da American Astronomical Society, a maior imagem já feita do Universo.
Mas é melhor contentar-se com a animação mostrada acima: a imagem tem mais de um trilhão de pixels, o que significa que seriam necessárias 500 mil TVs Full HD, colocadas uma ao lado da outra, para visualizá-la na sua resolução máxima.
O retrato do universo levou uma década para ser montado. E está longe de ser definitivo: o anúncio faz parte da oitava divulgação de dados do Sloan Digital Sky Survey (SDSS), sendo apenas a primeira da fase três do projeto.
Os dados agora liberados ao público contêm imagens de 14.555 graus quadrados do céu (ou mais que um terço de toda a esfera celeste) e espectros de mais de 800 mil galáxias, 100 mil quasares e 500 mil estrelas para análise científica.
Texto: Inovação Tecnológica
Vídeo: youtube.
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O Universo tem um eixo central de rotação?

Redação do Site Inovação Tecnológica - 11/07/2011



Simetria do Universo
Pesquisadores estão levantando dúvidas sobre a pressuposta simetria do Universo.
Seus cálculos parecem sugerir que, no seu início, nosso Universo girava sobre um eixo central. E que esse movimento de rotação influenciou a formação das galáxias.
Os físicos e astrônomos há muito tempo acreditam que o Universo tem uma simetria de espelho, como uma bola de basquete.
A imagem espelhada de uma galáxia girando no sentido horário teria, obviamente, o sentido anti-horário de rotação.
Mas se os astrônomos encontrarem um número maior de galáxias girando num sentido do que em outro, isto seria uma evidência de uma quebra de simetria, ou, no jargão da física, uma violação de paridade em escala cósmica.
Nova pesquisa sugere que o formato do Big Bang pode ser mais complicado do que se pensa. Como há mais galáxias espirais girando em um sentido do que em outro, pode ser que o Universo tenha um eixo central de rotação.[Imagem: NASA, ESA]
Sentido de rotação das galáxias
Para aferir isso, Michael Longo e uma equipe da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, catalogaram o sentido de rotação de dezenas de milhares de galáxias espirais fotografadas pelo projeto Sloan Digital Sky Survey, que faz a catalogação de galáxias e que recentemente divulgou a maior imagem já feita do Universo.
E o grupo do Dr. Longo descobriu exatamente isso, que as galáxias têm uma "preferência" para girar em uma direção.
Eles descobriram um excesso de galáxias com rotação anti-horária na parte do céu em direção ao pólo norte da Via Láctea.
O efeito se estende por mais de 600 milhões de anos-luz de distância.
"O excesso é pequeno, cerca de 7 por cento, mas a chance de que ele possa ser um acidente cósmico é algo como 1 em um 1.000.000", explica Longo. "Estes resultados são extremamente importantes porque parecem contradizer a noção quase universalmente aceita de que, em escalas suficientemente grandes, o universo é isotrópico, sem nenhuma direção especial."
Se todas as galáxias realmente girarem no mesmo sentido, para um observador no hemisfério norte da Terra elas parecerão girar em um sentido, e no sentido oposto para um observador no hemisfério sul. [Imagem: Michael Longo]


Rotação do Universo
O trabalho fornece novos insights sobre a forma do Big Bang. Um Universo simétrico e isotrópico teria começado com uma explosão esfericamente simétrica, em forma de uma bola.
Se o Universo nasceu girando, por sua vez, afirma Longo, ele teria um eixo preferencial, e as galáxias teriam mantido esse movimento inicial.
Então, será que o nosso Universo ainda está girando, em um movimento de rotação universal?
"Pode ser", diz Longo. "Eu acho que este resultado sugere que é."
Como o telescópio do projeto Sloan está nos Estados Unidos, os dados que os pesquisadores analisaram vieram na maior parte do hemisfério norte do céu.
Um teste importante dos resultados será verificar se há um excesso de galáxias em espiral com sentido horário no hemisfério sul. Esta pesquisa já está em andamento.
Texto e imagens: Inovação Tecnológica. 11/07/11
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Psicóloga propõe cartilha contra bullying para o MEC

Luna D'AlamaDo G1, em Goiânia (GO)

A cartilha “Psiu, repara aí!”, sugerida ao Ministério da Educação (MEC) pela doutoranda em psicologia Ana Carina Stelko-Pereira, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), pode ser aplicada até o fim do ano a alunos da 6ª à 9ª séries do ensino fundamental, de acordo com ela, durante apresentação feita nesta segunda-feira (11) na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade de Goiás (UFG), em Goiânia.
O material já passou por testes com 70 estudantes (35 de cada período) e 95% aprovaram o conteúdo, que inclui caça-palavras, desenhos e histórias sobre bullying.
“Entre as respostas a um formulário anônimo, os participantes destacaram que o material é importante porque ensina como agir caso eles sejam vítimas de agressão. Outros escreveram que a ideia é mostrar que brigas não levam a nada”, disse Ana Carina.


Como parte de sua tese de doutorado “Violência nota zero”, que deve ser defendida no próximo ano, a pesquisadora avaliou 400 alunos de duas escolas estaduais de São Carlos. Ela imaginava que, em resposta a seu questionário de 26 questões, de 10% a 15% responderiam que são vítimas de bullying. Mas o resultado surpreendeu:
“Foram 70% os que disseram que sofriam agressão física pelo menos uma vez a cada seis meses e que eram xingados sete vezes ou mais por semana”, contou.
O conflito entre as crianças no ambiente escolar revelado pelo estudo evidenciou um problema ainda maior: a violência doméstica. “Entre as meninas, 14% presenciavam agressões ou eram agredidas em casa, contra 7,5% dos meninos. Em 85% dos casos, as mães eram as responsáveis, contra 60% dos pais”, afirmou Ana Carina.

A probabilidade de um aluno ser alvo ou autor de bullying triplica se houver agressão por parte da mãe e chega a quadruplicar se o responsável for o pai, indicou a pesquisa. Os efeitos a curto prazo podem ser dor de cabeça, dificuldade para dormir, cansaço, falta de ânimo, perda da vontade de ir à escola e uso de drogas.
A longo prazo, segundo a psicóloga, aumentam as chances de transtorno de estresse pós-traumático, depressão e dificuldades comportamentais. “Um trabalho finlandês analisou recentemente crianças que sofriam bullying aos 8 anos e depois aos 16. Entre os meninos, todos continuaram vítimas e, entre as meninas, um quarto se tornou responsável pela agressão”, destacou Ana Carina.
O mais importante, de acordo com ela, não é buscar culpados, mas parcerias. É preciso trabalhar com a família, educadores, merendeiras, porteiros e todos da escola, amigos, profissionais da saúde (como pediatras) e a comunidade.
A cidade de Porto Alegre é pioneira na justiça restaurativa, que prevê que o autor do bullying faça uma boa ação no mesmo lugar ou para a mesma pessoa contra a qual praticou algo. Muitas vezes, a própria vítima escolhe a “pena”. Em um caso recente no Mato Grosso do Sul, um menino que extorquiu dinheiro de um colega foi "condenado" a lavar a louça da merenda e limpar o pátio do colégio por três meses.
“Esse recurso ainda é pouco aplicado no Brasil. O problema é acabar explorando as crianças e deixar de contratar funcionários para esses serviços”, disse a pesquisadora. Segundo ela, uma lei municipal em Curitiba tem funcionado para prevenir o bullying nas escolas. “Mas sou contra uma lei federal que tramita no Congresso e prevê a reclusão do agressor, como se ele tivesse cometido um crime”, concluiu.
Violência simbólica
Por trás do bullying, geralmente se esconde outro fenômeno maior: a violência na escola. Podem ser xingamentos, roubos, rumores, destruição de material, socos, ameaças, exclusão ou ofensas pela internet (o chamado "cyberbullying").
Segundo Ana Carina, é mais difícil identificar quando a violência é simbólica, ou seja, não caracterizada por agressão física. Para ser classificada como bullying, de acordo com ela, a ação deve ser feita entre iguais (como colegas de classe ou colégio) e repetida pelo menos quatro ou cinco vezes ao longo de um ano.

Na definição do psicólogo e mestre em educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) Josafá Moreira da Cunha, que também participou da SBPC, para haver bullying é preciso que exista uma relação desigual de força, poder hierárquico e repetição ao longo do tempo. “As formas da agressão são discutidas, mas não os motivos. Infelizmente, problemas de ordem estrutural e organizacional tiram tempo da escola para investir na qualidade das relações”, disse.
A doutora em educação pela UFPR Araci Asinelli-Luz concorda: “Em geral, os estudos buscam apenas a frequência dos casos, não a gravidade deles”. A palavra bullying é nova, apontou ela, mas o 'bully', aquele indivíduo agressivo, encrenqueiro e provocador, sempre existiu. “É um assunto muito complexo, que não ocorre apenas na escola, envolve muitos fatores e não deve ser lido linearmente”, destacou.
Texto e foto: G1. 12/07/11
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