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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"Estetoscópio do cérebro" transforma sinais neurais em música

Os sinais da epilepsia aparecem claramente na "música do cérebro", abrindo caminho para um novo equipamento de monitoramento médico. [Imagem: Stanford University]
Josef Parvizi é neurologista, e Chris Chafe é músico - ambos trabalham na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Os dois começaram uma parceria inusitada quando Parvizi soube que Chafe trabalhava com "musificação", o processo de converter sinais naturais em música.

Ele já havia testado, por exemplo, monitorar os níveis de dióxido de carbono ao lado de tomates e converter esses sinais variáveis em uma música que retrata o processo de amadurecimento dos frutos.

Parvizi estava trabalhando no tratamento de pacientes com ataques de epilepsia, coletando seus sinais neurais com eletrodos para fazer exames de eletroencefalogramas detalhados, tentando encontrar indícios de quando uma convulsão estaria prestes a acontecer.

Musificação

A parceria resultou na musificação dos surtos de ondas neurais que ocorrem durante os ataques epilépticos.

Chafe usou um tom próximo à da voz humana, na tentativa de facilitar a identificação das convulsões, em comparação com a música gerada pelo cérebro normal.

Os resultados surpreenderam.

"Meu interesse inicial era artístico, mas, surpreendentemente, pudemos diferenciar imediatamente a atividade da convulsão de estados não-convulsivos usando apenas nossos ouvidos," disse Chafe. "É como girar o botão de sintonia de um rádio de uma estação para um trecho de estática."

Os dois pesquisadores imediatamente batizaram sua técnica de "estetoscópio cerebral".

"Alguém - talvez uma mãe cuidando de seu filho - que não tenha treinamento para interpretar os sinais visuais do eletroencefalograma poderá ouvir os ritmos [das ondas cerebrais] e rapidamente verificar se há algum fenômeno cerebral patológico ocorrendo," disse Parvizi.

Ainda não há previsão de quando o neuroestetoscópio estará disponível para outros pesquisadores porque, até agora, a dupla só trabalhou com sinais gravados.

O próximo passo da pesquisa é gerar a música em tempo real, com um mínimo de eletrodos, na tentativa de aprimorar a técnica para uso como instrumento médico.

Fonte: Inovação Tecnológica
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