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sexta-feira, 14 de março de 2014

Como fabricar um átomo artificial

Tanto as propriedades elétricas quanto as magnéticas do meta-átomo podem ser ajustadas para interagir com a luz que se pretende manipular. [Imagem: Arseniy I. Kuznetsov et al./Nature Communications]

Meta-átomos
Materiais naturais são compostos por átomos naturais, aqueles bem conhecidos, listados na Tabela Periódica.
Mas quando se deseja fabricar materiais artificiais, com propriedades sob encomenda, então é possível lançar mão de "átomos artificiais".
Átomos artificiais são unidades básicas que podem ser postas juntas para formar um material cujo comportamento será totalmente diferente dos materiais naturais - são os chamados metamateriais, onde o prefixo meta sinaliza que esses objetos estão "além dos materiais" naturais.
Já existem metamateriais dos mais diversos tipos, que normalmente são construídos com "meta-átomos" bem parecidos, de um tipo conhecido como ressonador em anel partido (split-ring resonator).
Embora tenham permitido muitos progressos na manipulação de vários comprimentos de onda, esses ressonadores não são bons em lidar com a luz visível.
Agora, Arseniy Kuznetsov e seus colegas do Instituto A-Star, de Cingapura, criaram um meta-átomo que faz justamente isso, interagindo de forma muito forte e muito flexível com comprimentos de onda na faixa do visível e nas suas proximidades.
Para isso, Kuznetsov deixou de lado os anéis e usou uma esfera, criando um ressonador de bola partida (split-ball ressonator).
O átomo artificial esférico faz "mágicas" com os feixes de luz que incidem sobre ele. [Imagem: Arseniy I. Kuznetsov et al./Nature Communications]
Receita para fazer átomos
Os átomos artificiais são construídos a partir de pequenos discos metálicos, que podem ser fabricados facilmente e em grandes volumes.
Um disparo de laser é suficiente para fundir o metal, fazendo-o formar uma gota, que vira uma esfera metálica quase perfeita quando esfria. Os recortes são feitos com um disparo de um feixe de íons de hélio.
A grande vantagem é que esses meta-átomos apresentam uma ressonância magnética quando incide sobre eles radiação dentro do espectro visível.
Com isso, tanto as propriedades elétricas quanto as magnéticas do meta-átomo podem ser ajustadas para interagir com a luz que se pretende manipular.
A expectativa é que essa técnica permita finalmente a construção de aparatos que manipulem a luz em aplicações mais práticas, e não apenas mantos da invisibilidade que tornem as coisas invisíveis aos olhos humanos, mas também superlentes que disparam feixes de eletricidade à distância, sistemas para manipular a luz no interior de processadores fotônicos e até fazer o milagre da multiplicação da luz.
Além disso, segundo os pesquisadores, outras equipes agora poderão usar o mesmo método para fabricar seus próprios átomos artificiais, com características tridimensionais mais complexas, que permitirão a manipulação da luz de formas cada vez mais flexíveis.
Fonte: Inovação Tecnológica

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