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sábado, 31 de outubro de 2015

Melhor rota para Marte inclui reabastecimento na Lua

As simulações compararam inúmeras possibilidades, envolvendo desde a ida direta a Marte, preconizada pela NASA, até paradas nas luas do planeta. [Imagem: Takuto Ishimatsu et al.]
Oficialmente, a NASA reconhece que ir a Marte é um sonho distante, com os estudos mais otimistas prevendo uma possibilidade de que o homem chegue a Marte por volta de 2040.
Na parte do marketing, a agência norte-americana mantém a atenção divulgando vez por outra planos bastante genéricos para chegar a Marte. E a Lua não merece papel de destaque nesses planos.
Contudo, um novo modelo desenvolvido por Takuto Ishimatsu e seus colegas do MIT, concluiu que o melhor caminho para uma missão rumo a Marte é contar com uma usina de produção de combustível e um posto de reabastecimento na Lua.
O modelo baseia-se em estudos que sugeriram que o solo lunar e o gelo de água em certas crateras da Lua poderiam ser extraídos e convertidos em combustível para foguetes - europeus e russos estão prestes a testar essas hipóteses, com a missão Luna 27, enquanto o projeto norte-americano mais avançado nesse sentido é o robô Polaris, projetado para procurar água na Lua.
Assumindo que esses recursos sejam encontrados na Lua, e as tecnologias para sua exploração estejam desenvolvidas no momento de uma missão a Marte, o grupo do MIT conclui que dar uma paradinha na Lua para reabastecer reduziria a massa de uma missão em 68% no momento do lançamento.
As simulações compararam inúmeras possibilidades, envolvendo desde a ida direta a Marte, preconizada pela NASA, até paradas nas luas do planeta, sempre tentando diminuir o peso da carga dos foguetes a serem lançados da Terra - um elemento-chave na determinação do custo das missões de exploração espacial.
Melhor rota para Marte inclui reabastecimento na Lua
A NASA já possui planos para construir usinas nucleares na Lua e em Marte, assim como vários projetos para instalar uma Estação Espacial Lunar, mas nenhum com agenda definida. [Imagem: NASA]
A rota mais eficiente envolve o lançamento de uma tripulação da Terra com combustível suficiente apenas para entrar em órbita e alcançar as naves-tanque que seriam lançadas a partir de uma usina de produção de combustível na superfície da Lua. Essas naves ficariam estacionadas em pontos de equilíbrio gravitacional, conhecidos como Pontos de Lagrange.
"Nosso objetivo final é colonizar Marte e estabelecer uma presença humana permanente autossustentável lá," disse Ishimatsu. "No entanto, igualmente importante, eu acredito que nós precisamos 'pavimentar a estrada' no espaço para que possamos viajar entre corpos planetários de uma forma acessível."
"A otimização sugere que a Lua poderia desempenhar um papel importante para nos levar para Marte repetidamente de forma sustentável," acrescentou Olivier de Weck, coautor do trabalho. "As pessoas sugeriram isso antes, mas nós acreditamos que este é o primeiro trabalho que mostra matematicamente por que essa é a resposta correta."
Apesar de uma proposta desse tipo não estar nos projetos preferidos da NASA, a agência espacial já possui planos para construir usinas nucleares na Lua e em Marte, assim como vários projetos para instalar uma Estação Espacial Lunar.
Além disso, a NASA já está testando o primeiro posto de abastecimento espacial, para encher o tanque de satélites artificiais.
Fonte: Inovação Tecnológica
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

OMS afirma que carnes industrializadas são cancerígenas

Compostos químicos mutagênicos são gerados por reações químicas como as que ocorrem no escapamento dos carros e ao grelhar a carne.[Imagem: Heather Luis/USDA
Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o consumo de carne processada - como bacon, salsichas e presunto - causa câncer.
Segundo o documento, 50 gramas de carne processada por dia, o equivalente a duas fatias de bacon, aumentam a chance de desenvolver câncer colorretal em 18%.
De forma mais branda, pela falta de provas mais contundentes, a OMS também reforçou o alerta em relação à carne vermelha, dizendo que ela seria "provavelmente cancerígena".
No tocante à carne vermelha, os dados não são estatisticamente tão significativos quanto os das carnes industrializadas, com indícios de que comer carne bovina, carne de porco ou cordeiro "podem causar câncer".
A OMS destaca que um consumo baixo de carne traz benefícios à saúde, mas os consumidores precisam saber que também existem riscos e, assim, comer carne com moderação. A carne vermelha é uma grande fonte de ferro, zinco e vitamina B12.
Há também indícios de que carnes preparadas em altas temperaturas, ou grelhadas como churrasco, podem trazer riscos à saúde, incluindo o risco de demência.
Carne processada é a carne que foi modificada para aumentar seu prazo de validade ou manipular o gosto. São as carnes defumadas, curadas ou que recebem aditivos como sal ou conservantes.
Essa categoria inclui bacon, salsichas, linguiças, salame, carnes curadas ou salgadas e presunto, além de carnes enlatadas e molhos à base de carne.
Segundo a OMS, são os aditivos colocados nesses produtos que podem aumentar o risco de desenvolver câncer.
A OMS chegou a essas conclusões baseada em estudos da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer, que avalia os melhores dados científicos disponíveis. Com a decisão, a carne processada passa a estar na mesma categoria - o chamado Grupo 1 - que o cigarro e as bebidas alcoólicas, substâncias que comprovadamente causam câncer.
No entanto, isso não significa que consumir bacon, por exemplo, seja tão ruim quanto fumar. "Para um indivíduo, o risco de desenvolver câncer colorretal (no intestino) por causa do consumo de carne processada continua pequeno, mas este risco aumenta com a quantidade de carne consumida", disse Kurt Straif, da OMS.
Para o professor da Universidade de Oxford Tim Key, que também é membro da organização beneficente britânica voltada para pesquisa do câncer Cancer Research UK, é uma questão de moderação.
"Esta decisão não significa que você precisa parar de comer qualquer tipo de carne vermelha ou processada, mas se você come muito, há boas razões para pensar em diminuir. Comer bacon de vez em quando não vai causar muito dano - uma dieta saudável é baseada na moderação," afirmou.
Fonte: Diário da Saúde
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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Einstein contestado: ou Deus joga dados, ou é possível superar velocidade da luz

Ou Deus de fato joga dados com o Universo, ou os spins dos elétrons podem conversar entre si mais rapidamente do que a velocidade da luz, e a velocidade da luz não seria o limite universal de velocidade. [Imagem: ICFO]
Realismo local
Um experimento histórico obteve a refutação mais forte até hoje do princípio do "realismo local", defendido por Albert Einstein, que afirma que o Universo obedece a leis, e não ao acaso - uma crítica à mecânica quântica - e que não há forma de viajar ou trocar informações mais rápido que a luz.
O experimento, executado na Universidade Tecnológica de Delft, na Holanda, é o chamado "teste de Bell incontestável" (loophole-free Bell test), cujos resultados abrem ou a possibilidade da existência de influências "escondidas" além do espaço-tempo, ou elimina o limite de velocidade universal - a velocidade da luz.
No experimento, dois elétrons presos dentro de dois cristais de diamante diferentes foram entrelaçados (ou emaranhados), o que significa que tudo o que acontece a um afeta imediatamente o outro. A seguir, a equipe mediu o spin de cada um dos elétrons.
Na teoria quântica, o entrelaçamento é poderoso e misterioso: matematicamente os dois elétrons são descritos por uma única função de onda, que somente especifica se eles têm o mesmo spin ou spins diferentes, mas não qual em que direção seus spins apontam.
O realismo local, preferido por Einstein, tenta explicar esse fenômeno com menos mistério, dizendo que as partículas devem estar apontando para algum ponto, mas nós simplesmente não sabemos em que direção até que façamos uma medição.
Einstein em um beco sem saída
No experimento, contudo, quando foram medidos, os elétrons aparecem individualmente aleatórios, mas concordam bem demais em que direção apontar. Tão bem, na verdade, que eles não poderiam ter orientações prévias à medição, como afirma o realismo.
O comportamento observado dos elétrons só é possível se eles se comunicassem um com o outro, algo que seria muito surpreendente para elétrons presos em cristais diferentes - mais do que isso, os dois diamantes estavam em edifícios diferentes, a 1,3 km de distância um do outro.
Além disso, as medições foram feitas tão rapidamente em cada um dos diamantes - usando relógios atômicos para sincronizá-las - que não haveria tempo suficiente para que os elétrons se comunicassem, nem mesmo se seus sinais de um para o outro viajassem à velocidade da luz.
Isto coloca o realismo local em um beco sem saída: se os spins dos dois elétrons são reais, ou a ação fantasmagórica à distância é real, ou os elétrons devem ter-se comunicado. Mas, se eles se comunicaram, eles fizeram isso mais rápido do que a velocidade da luz.
Assim, o experimento dá uma refutação quase perfeita da visão de mundo de Einstein, em que "nada viaja mais rápido do que a luz" e "Deus não joga dados". Pelo menos uma destas declarações deve estar errada.
Para usar as palavras de Einstein, ou Deus de fato joga dados com o Universo e a ação fantasmagórica à distância é real, ou os spins dos elétrons podem conversar entre si mais rapidamente do que a velocidade da luz, e a velocidade da luz não seria o limite universal de velocidade.
Einstein contestado: ou Deus joga dados, ou é possível superar velocidade da luz
O experimento exigiu o desenvolvimento do gerador de números aleatórios mais rápido já construído, além de relógios atômicos superprecisos. [Imagem: ICFO]
Gerações de teorias
Max Planck, o homem que tirou Einstein de um emprego de funcionário público e o levou para a universidade, costumava dizer que não é possível convencer opositores de uma nova teoria: uma nova teoria só triunfa quando esses opositores finalmente morrem e cresce uma nova geração acostumada com a nova teoria.
Neste caso, mais de uma geração vem trabalhando na construção desse experimento incontestável. Contudo, parece não existir ainda a nova teoria triunfante, mas tão somente a negação da completude da teoria antiga. Assim, para compreendermos totalmente o alcance das possibilidades que se abrem, talvez seja necessário esperar, não o morrer, mas o nascer de uma nova geração - ou, talvez, de um novo Einstein.
Mas os frutos do experimento já estão sendo colhidos.
"Trabalhar neste experimento nos levou a desenvolver tecnologias que agora podemos aplicar para melhorar a segurança das comunicações e a computação de alto desempenho, e outras áreas que requerem números aleatórios de alta qualidade e alta velocidade," disse o professor Morgan Mitchell, membro da equipe.
Matéria colhida na íntegra em: Inovação Tecnológica
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Memória digital está prejudicando memória humana

Imagem do Google
O uso indiscriminado de tecnologias digitais está enfraquecendo a memória dos seres humanos.
Uma empresa de segurança digital sediada no Reino Unido constatou que as pessoas vêm recorrendo aos computadores e aparelhos móveis para guardar novas informações, em vez de usar seus próprios cérebros.
Segundo a pesquisa, muitos adultos que ainda se lembravam de números de telefone durante a infância não conseguiam memorizar os números de telefone do trabalho ou de parentes próximos.
O estudo, que analisou os hábitos de memória de 6 mil adultos no Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, constatou que mais de um terço dos entrevistados afirmou que recorreria primeiro a computadores e dispositivos móveis para buscar informações do que à própria memória.
A professora Maria Wimber, da Universidade de Birmingham (Inglaterra), disse que o hábito de usar as máquinas para buscar informação "impede a construção de memórias de longo prazo".
Segundo ela, o processo de memorização de dados é "uma forma muito eficiente para criar uma memória permanente. Por outro lado, buscar informações continuamente na internet não cria uma memória sólida e duradoura."
O estudo, patrocinado pela Kaspersky Lab, empresa de segurança digital sediada no Reino Unido, constatou que as pessoas se acostumaram a usar computadores como uma "extensão" de seus próprios cérebros.
Trata-se da chamada "amnésia digital", pela qual as pessoas se esquecem de informações importantes pois acreditam que podem buscá-las imediatamente na internet.
"Existe também o risco de que o registro constante de informação em dispositivos digitais nos torna menos propensos a guardar informações de longo prazo, e até nos distrair de memorizar corretamente um acontecimento da forma como ele ocorre," afirmou Wimber.
Fonte: Diário da Saúde
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Europa e Rússia planejam exploração conjunta da Lua

A primeira sonda robótica da missão conjunta deverá ser lançada nos próximos cinco anos. [Imagem: ESA]
As agências espaciais da Rússia (Roscomos) e da Europa (ESA) enviarão um módulo espacial para o polo sul da Lua.
Será a primeira de uma série de missões para preparar a volta dos seres humanos à superfície lunar e da criação de uma colônia permanente no satélite.
A sonda robótica avaliará se existe água, além de materiais brutos para produzir combustível e oxigênio.
A previsão é que a missão, chamada Luna 27, seja lançada daqui a cinco anos, sendo parte de uma série de missões lideradas pela Roscosmos para retornar à Lua.
Essas missões retomarão o programa de exploração lunar que foi interrompido pela antiga União Soviética (URSS) em meados dos anos 1970, segundo Igor Mitrofanov, do Instituto de Pesquisa Espacial, em Moscou, e um dos líderes da iniciativa.
Mitrofanov diz haver benefícios científicos e comerciais para o estabelecimento de uma presença permanente de humanos na superfície lunar: "Será para observações astronômicas, o uso de minerais e outros recursos lunares e para criar um posto avançado que poderá ser visitado por astronautas que trabalharão juntos em testes para uma futura viagem a Marte."
As missões iniciais serão feitas com robôs. A Luna 27 pousará na borda da cratera Aitken, no polo sul do satélite. Essa região tem áreas que nunca são iluminadas pelo Sol, estando entre os locais mais frios do Sistema Solar. Portanto, poderiam abrigar água em forma de gelo e outros compostos químicos que ficam protegidos do calor dos raios solares.
A ESA está desenvolvendo um novo tipo de sistema de pouso para escolher as áreas de pouso com maior precisão do que os usados nas missões dos anos 1960 e 1970.
Este sistema usa câmeras para navegar e um guia a laser para avaliar o terreno na aproximação da superfície e decidir por conta própria se o local é seguro para pouso ou não, e se será necessário buscar um ponto melhor.
Segundo James Carpenter, cientista-chefe da ESA no projeto, um dos principais objetivos é investigar o uso de água como um recurso em potencial no futuro e descobrir o que ela pode indicar sobre a origem da vida no Sistema Solar.
Europa e Rússia planejam exploração conjunta da Lua
Este é um dos conceitos de uma futura base lunar, caso sejam encontrados os recursos minerais esperados, sobretudo água e compostos químicos que sirvam como combustível para foguetes. [Imagem: ESA]
"O polo sul da Lua é diferente de qualquer lugar que já estivemos", disse Carpenter. "Por causa do frio extremo, podemos vir a achar uma grande quantidade de gelo e outros componentes químicos em sua superfície, que poderíamos usar como combustível de foguete ou em sistemas de apoio a vida em missões humanas no futuro nestes locais."
A ESA fornecerá o equipamento de perfuração para atingir 2 metros abaixo do solo e coletar amostras de gelo. Segundo Richard Fisackerly, engenheiro-chefe do projeto, esta camada congelada pode ser mais dura que concreto - então, a broca usada terá de ser muito resistente.
"Estamos avaliando as tecnologias que seriam necessárias para perfurar esse tipo de material, com movimentos que combinem rotações e golpes. Isso está além do que está em desenvolvimento hoje em dia."
A agência europeia também proverá um laboratório em miniatura, chamado ProSPA, similar aos instrumentos usados pelo módulo Philae, que pousou na superfície do cometa 67P no ano passado.
Mas o ProSPA será calibrado para buscar por ingredientes-chave para a geração de água, oxigênio, combustível e outros materiais que poderão ser explorados por astronautas. A intenção é descobrir a quantidade existente desses materiais sob a superfície e, principalmente, se é possível extraí-los facilmente.
Fonte: Inovação Tecnológica
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terça-feira, 13 de outubro de 2015

Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física

Cientistas usam um bote dentro do Observatório de Neutrinos Superkamiokande, formado por milhares de detectores em uma instalação subterrânea, totalmente preenchida com água. [Imagem: Universidade de Tóquio]
Massa dos neutrinos
Duas décadas depois da descoberta das oscilações dos neutrinos, que mostrou que essas partículas possuem massa, os dois principais responsáveis pela façanha, o japonês Takaaki Kajita, do Observatório Superkamiokande (Universidade de Tóquio), e o canadense Arthur McDonald, do Observatório de Neutrinos Sudbury (Universidade Queen's), foram contemplados com o prêmio Nobel de Física de 2015.
Em dois experimentos independentes, as equipes lideradas por Kajita e McDonald demonstraram que os neutrinos podem mudar de identidade - ou de "sabor", conforme o jargão da física de partículas.
Em outras palavras, um tipo de neutrino pode se transformar em outro - hoje são conhecidos três tipos de neutrinos: do elétron, do múon e do tau.
Para que tal mudança ocorra, é preciso que a partícula tenha massa. O chamado Modelo Padrão da Física de Partículas considerava até então que o neutrino não possuía massa.
Conforme explica o físico Robert Garisto, editor da Physical Review Letters, "embora cada neutrino seja produzido com um sabor específico, o seu estado quântico pode evoluir para uma combinação dos três sabores, com as proporções oscilando no tempo. A probabilidade de sua detecção como um neutrino do múon, por exemplo, vai depender do tamanho do componente múon no neutrino no momento da detecção. Quanto menor for a diferença de massa entre os sabores, maior será o período de oscilação, de modo que as oscilações não poderiam ocorrer se todos os sabores tivessem a mesma massa ou não tivessem nenhuma massa, já que o efeito depende apenas da diferença de massa ao quadrado. O período de oscilação também aumenta com a energia do neutrino."
Mar de neutrinos
Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
A conclusão de que os neutrinos têm massa abriu o caminho para a descoberta de uma nova partícula que pode revolucionar toda a tecnologia, os chamados "pontos de Weyl". [Imagem: Ling Lu et al. - 10.1126/science.aaa9273]
A importância da descoberta para o avanço do conhecimento é enorme, porque, depois do fóton (a partícula da interação eletromagnética), o neutrino é o objeto mais abundante do Universo, descontada a elusiva matéria escura, cuja existência só é depreendida pelo seu efeito gravitacional, mas sobre a qual nada se sabe.
Além disso, diferentemente do fóton, o neutrino quase não interage com a matéria. Por isso a Terra - nós incluídos - recebe e é atravessada regularmente por trilhões de neutrinos sem que percebamos: neutrinos que foram produzidos nos primeiros tempos do Universo; neutrinos provenientes de fontes extragalácticas; neutrinos gerados no interior das estrelas, entre elas, o Sol; e neutrinos resultantes do choque de raios cósmicos com a atmosfera terrestre.
"Os neutrinos têm, por assim dizer, o dom da ubiquidade. E são os mensageiros dos confins do espaço e dos primórdios do tempo, fornecendo informações preciosas sobre a estrutura do Universo. Graças à descoberta das oscilações por Kajita e McDonald, o estudo dos neutrinos é hoje um dos ramos mais dinâmicos da Física, mobilizando pesquisadores que trabalham com partículas e com Cosmologia, com o micro e o macro", explica a professora Renata Zukanovich Funchal, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
Descoberta do neutrino
Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
Físicos brasileiros querem abrir uma nova janela para o Universo usando o Detector Mário Schenberg, que está procurando as ondas gravitacionais previstas por Einstein. [Imagem: Xavier P.M.Gratens]
Para avaliar o alcance da descoberta que resultou agora no Nobel, é preciso recuar várias décadas. O neutrino foi a primeira partícula da Física que teve sua existência postulada teoricamente, muito antes da descoberta experimental. Tal postulação foi feita pelo austríaco Wolfgang Pauli (1900-1958) em 1930, para explicar a conservação da energia durante o evento nuclear conhecido como "decaimento beta".
No decaimento beta, o núcleo atômico, que não tem elétrons, emite um elétron. Sabe-se hoje que isso resulta da transmutação de um nêutron em um próton, com a liberação do elétron. Mas, para que a energia final do processo seja igual à energia inicial, como exige a lei da conservação da energia, é preciso que o núcleo emita também outro tipo de partícula além do elétron.
Essa partícula extra proposta por Pauli, que parecia um simples artifício, foi inicialmente encarada com ceticismo pela comunidade científica. Mas o italiano Enrico Fermi (1901-1954) a levou a sério. E, em 1932, atribuiu-lhe o nome de neutrino, que significa "pequeno nêutron" em italiano. O brasileiro Mário Schenberg (1914-1990), que trabalhou com Fermi, foi um dos primeiros a utilizar operacionalmente tal ideia, por meio da qual fechou o balanço energético da explosão das estrelas supernovas - o detector Mário Schenberg, uma homenagem ao físico, está trabalhando em busca de sinais das ondas gravitacionais.
A existência do neutrino foi finalmente confirmada em um experimento conduzido pelos norte-americanos Clyde Cowan e Frederick Reines em 1956. Em 1995, essa descoberta experimental foi contemplada com o Prêmio Nobel, que Reines recebeu, em seu nome e no de Cowan, falecido em 1974.
"No Modelo Padrão, o neutrino faz parte da família dos léptons. Para cada lépton eletricamente carregado (o elétron, o múon e o tau), existe um neutrino correspondente. Portanto, existem três neutrinos: o do elétron, o do múon e o do tau", explica Renata. "Inicialmente, conhecia-se somente o neutrino do elétron. O neutrino do múon foi descoberto em 1962 e o neutrino do tau apenas em 2000."
Oscilação dos neutrinos
Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
O observatório de neutrinos IceCube, com sensores mergulhados em furos que atingem até 2,5 km de profundidade no gelo eterno da Antártica, recentemente descobriu uma nova classe de neutrinos super-energéticos, que ainda aguarda por mais explicações. [Imagem: IceCube/Divulgação]
A hipótese da oscilação, isto é, da mudança de "sabor" por meio da qual um neutrino se transforma em outro, foi a resposta encontrada para uma grave anomalia que se tornou conhecida com o desenvolvimento dos processos experimentais. Essa anomalia foi constatada já no final da década de 1960, em um experimento realizado na mina de Homestake, nos Estados Unidos. Destinado a detectar e contar os neutrinos do elétron provenientes do Sol recebidos no local, o experimento mostrou que esse número era apenas um terço do esperado. Era como se os neutrinos solares estivessem desaparecendo.
"Na verdade, o ocorrido foi uma mudança de sabor. Mas isso não se sabia na época. O neutrino e suas propriedades foram sendo descobertos aos poucos. Apesar de extremamente abundantes, e de estarem presentes por toda parte desde o início do universo, ignoramos por muito tempo sua existência. Os neutrinos estão para a física de partículas assim como os micróbios para a medicina. Durante milênios interagimos com os micróbios sem saber que eles existiam", comentou Renata.
Foi essa anomalia entre o número de neutrinos esperado e o número de neutrinos contabilizado que motivou, nos anos 1990, o experimento Super-Kamiokande, coordenado por Kajita. Esse experimento, realizado em um detector gigantesco, com 50 mil toneladas de água, foi desenhado para medir neutrinos solares (gerados pelos processos de fusão nuclear que ocorrem no núcleo do Sol) e também neutrinos atmosféricos (resultantes do choque dos raios cósmicos com as partículas existentes na atmosfera terrestre).
"O extraordinário no experimento do Super-Kamiokande é que ele tem direcionalidade. O detector é capaz de medir neutrinos a partir da direção da qual provêm, desde os neutrinos vindos da posição acima do detector até os neutrinos vindos do outro lado da Terra", afirmou Renata.
"A grande surpresa foi descobrir que o número de neutrinos variava com a direção. Isso também podia ser interpretado como uma dependência em relação à distância. Porque os neutrinos atmosféricos que vêm de cima do detector têm que percorrer cerca de 15 quilômetros (que é a altitude na qual os raios cósmicos interagem com a atmosfera) enquanto que os neutrinos provenientes do outro lado da Terra têm que percorrer 15 quilômetros mais 12 mil quilômetros (que é o tamanho do diâmetro da Terra)".
A descoberta feita pelos japoneses podia ser muito bem explicada pela oscilação do neutrino do múon em um outro tipo de neutrino, na época ainda não observado: o neutrino do tau. Esse resultado foi apresentado por Kajita em uma conferência realizada no Japão em 1998. "Ele não apenas chefiou o experimento como fez a análise dos resultados obtidos", relatou a pesquisadora.
Neutrinos solares
Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
O metro cúbico mais frio do Universo é outro experimentos caçador de neutrinos que está tentando desvendar a antimatéria. [Imagem: Cuore/Laboratório Nacional Gran Sasso]
Depois disso, foi realizado o experimento do McDonald para explicar a anomalia descoberta em Homestake, no final da década de 1960, na contagem dos neutrinos solares. "Este novo experimento foi realizado na mina de Sudbury, no Canadá, que, aliás, pertence atualmente à empresa Vale do Rio Doce. Ele foi concebido especialmente para medir neutrinos solares. E observou a transformação de neutrinos do elétron (os únicos produzidos nas reações de fusão nuclear do Sol) em neutrinos do múon e neutrinos do tau", detalhou Renata.
A primeira implicação dessas duas descobertas, a do Super-Kamiokande e a de Sudbury, é que o neutrino tem massa. Uma massa extremamente pequena e que ainda não se sabe quanto vale, mas que existe. A segunda implicação é que se trata de um fenômeno quântico, da escala subatômica, que está sendo observado a partir de efeitos macroscópicos, por meio de detectores enormes.
"Além disso, como o neutrino têm o dom da ubiquidade e é produzido pelos mais variados processos, as descobertas de Kajita e McDonald provocaram um enorme interesse pelos neutrinos e uma reavaliação de tudo o que se sabia sobre o papel deles na física de partículas, nos processos estelares, na evolução do universo etc. Todas essas teorias foram revisitadas desde então. Ainda não podemos prever consequências tecnológicas. Mas nada impede que isso possa ocorrer no futuro", concluiu Renata.
Essa linha de pesquisas tornou-se tão importante que hoje existe uma área de estudos conhecida como física dos neutrinos.
Matéria colhida na íntegra em: Inovação Tecnológica
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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Comer pimenta ajuda a viver mais

São fortes os indícios de que a malagueta e outras pimentas aumentem a longevidade.[Imagem: Rosa Lia Barbieri/CPACT/Embrapa]
Comer pimenta e outros alimentos com gosto "quente" e picante pode ajudar a viver mais.
Dados da equipe do Dr. Lu Qi, um epidemiologista da Universidade de Tulane (EUA) vêm dar suporte a estudos anteriores, que mostraram que pimentas específicas, como a malagueta, podem ajudar a viver mais.
Acredita-se que alguns ingredientes ativos nas pimentas, como a capsaicina, ajudam a proteger o corpo humano contra doenças, ainda que haja riscos no consumo excessivo de pimenta.
"Mesmo entre aquelas [pessoas] que consumiram alimentos picantes com menos frequência, os efeitos benéficos podem ser observados," garante o Dr. Qi, que estudou mais de 500.000 adultos chineses ao longo de sete anos.
Os resultados indicaram que os participantes que ingerem alimentos condimentados com pimenta todos os dias reduzem seu risco de morte prematura em 14% em comparação com as pessoas que comem pimenta menos de uma vez por semana.
"Mesmo entre aquelas [pessoas] que consumiram alimentos picantes com menos frequência [um ou dois dias por semana], os efeitos benéficos podem ser observados. De fato, um aumento moderado dos alimentos picantes pode beneficiar" a saúde, disse Qi.
O principal ingrediente ativo das pimentas identificado até agora pelos cientistas é a capsaicina.
Estudos mostram que capsaicina diminui o apetite, podendo reduzir o risco de obesidade e oferecer propriedades antibacterianas - a pimenta malagueta é a fonte de uma nova geração de analgésicos, por exemplo.
A substância parece também ajudar a proteger contra diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e outras condições, além de reduzir as inflamações, a pressão arterial e o estresse oxidativo.
O estudo foi publicado no British Medical Journal.
Fonte: Diário da Saúde
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

São seus traços morais que definem como as pessoas veem você

Experimentos com manipulação cerebral já demonstraram a possibilidade de alterar os julgamentos morais de uma pessoa.[Imagem: BBC]
Quase todos acreditamos que a forma de pensar e as coisas de que nos lembramos - nossa "experiência de vida" - são uma parte essencial do que nos define como pessoa.
Mas parece que não é assim que olhamos para os outros - e nem tampouco é assim que os outros nos veem.
"Ao contrário do que você possa imaginar - e do que gerações de filósofos e psicólogos têm assumido - a perda de memória em si não faz alguém parecer uma pessoa diferente. Nem a maioria dos outros fatores, como a mudança de personalidade, a perda da cognição de alto nível, a depressão ou a capacidade de realizar as atividades diárias," relata a professora Nina Strohminger, da Universidade de Yale (EUA).
Segundo os resultados dos estudos da equipe de Strohminger, são nossos traços morais que nos definem, formando o núcleo de nossa identidade.
Para demonstrar a importância da moralidade na definição da identidade, a equipe trabalhou com centenas de pacientes e familiares de pacientes com doenças neurodegenerativas, que tipicamente apresentam as condições citadas pela pesquisadora, como perda de memória, de capacidade cognitiva e de realizar tarefas diárias.
Mas os familiares e amigos apenas relataram que o paciente "não parecia mais a mesma pessoa", ou estava "irreconhecível", quando começava a apresentar variações nos traços morais.
"Isso é interessante porque mostra que alguém pode mudar bastante e ainda parecer basicamente a mesma pessoa. Por outro lado, se as faculdades morais ficam comprometidas, uma pessoa pode ser considerada irreconhecível," disse Strohminger.
Os resultados mostraram que tanto a doença de Alzheimer quanto a demência frontotemporal foram associadas com um maior sentido de perturbação da identidade do que a esclerose lateral amiotrófica, com a demência frontotemporal levando à maior deterioração na identidade.
Fonte: Diário da Saúde
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