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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Por que os caminhões não aproveitam a aerodinâmica?

Resistência do ar no caminhão original (esquerda) e no caminhão aerodinâmico (direita).[Imagem: Petter Ekman]
Os carros de passeio têm-se beneficiado continuamente das melhorias aerodinâmicas, com ganhos importantes no consumo de combustível.
Mas está mais difícil convencer o setor de caminhões de que os pesos-pesados podem fugir dos tradicionais formatos quadrados e retangulares e seus cantos vivos.
Engenheiros da Universidade de Linkoping, na Suécia, estão fazendo mais uma tentativa de mostrar esses benefícios.
Usando simulações computadorizadas para redesenhar um veículo de carga leve, Matts Karlsson e Petter Ekman demonstraram que alterações simples, como o arredondamento da carroceria, geram ganhos de até 12% no consumo de combustível.
E esses ganhos não foram teóricos. Em colaboração com uma empresa transportadora, eles construíram um protótipo com as modificações mais simples e mais baratas desenvolvidas nos simuladores e colocaram o pequeno caminhão para rodar por 100.000 km, comparando os resultados com um veículo original do mesmo tipo.
O caminhão original recebeu pisos autoportantes e teve seções não-estruturais substituídas por peças mais leves. O baú foi arredondado, todos os cantos vivos e arestas foram retirados, as rodas foram parcialmente fechadas e o teto da cabine recebeu uma ligeira inclinação para trás, em um formato parecido com uma asa de avião.
Por que os caminhões não aproveitam a aerodinâmica?
Protótipo do caminhão leve consumiu 12% a menos de combustível e gastou 45% menos pneus. [Imagem: Linköping Universitet]
Em viagens de serviço, carregado com até 950 kg, o caminhão aerodinâmico fez 11 km por litro de biodiesel, exatos 12% mais do que seu equivalente original quadradão. Além disso, o desgaste dos pneus foi reduzido significativamente.
Apesar do resultado, a equipe não tem expectativa de que a aerodinâmica venha a desempenhar um papel importante na indústria de caminhões a curto prazo porque o problema é bem maior do que o vento.
"Aqui, o problema é que ninguém tem total responsabilidade: o caminhão é fabricado em um lugar, os acessórios em outro, e a carroceria em um terceiro. O que a Volvo, Scania e outros fabricantes de caminhões fazem para reduzir o consumo de combustível no veículo é rapidamente devorado pelo baú grande e quadrado que o veículo deve puxar," disse Erik Alfredsson, dono da transportadora que patrocinou o experimento.
Fonte: Inovação Tecnológica
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Zika pode gerar problemas neurológicos em adultos

Imagem do Google
Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D'or de Pesquisa e Ensino começou a estudar se adultos infectados pelo vírus zika podem desenvolver problemas neurológicos além da já conhecida síndrome de Guillain-Barré.
A decisão de fazer o estudo veio depois da constatação de alguns casos suspeitos de síndromes neurológicas associadas à infecção por zika.
Até agora, a infecção por zika era vista como benigna para adultos, com sintomas similares aos da dengue, mas mais leves, ainda que já se suspeitasse que o vírus zika pode causar outros problemas em bebês além da microcefalia.
Contudo, médicos de diferentes hospitais vêm relatando um número acima da média de casos de Guillain-Barré (um problema autoimune que ataca o sistema nervoso) e também de encefalites e encefalomielites, inflamações no cérebro e na medula normalmente decorrentes de infecções virais.
As doenças podem causar desde uma leve confusão mental até convulsões e paralisia.
"Temos casos relatados de alterações neurológicas em pessoas [adultas] que tiveram diagnóstico clínico de zika," afirmou Fernanda Tovar Moll, professora da UFRJ e especialista em neuroimagem.
Fernanda explica que ainda há poucos casos estudados para que seja possível determinar quais alterações específicas seriam características da infecção por zika. Mas tudo indica que as alterações sejam mesmo no tecido cerebral e na medula.
A especialista explica que não há ainda como saber se esses pacientes com problemas neurológicos terão sequelas. E que, por enquanto, o foco é, justamente, mapear todo o espectro de ação do vírus e as complicações decorrentes.
Os pesquisadores frisam que, tanto a síndrome de Guillain-Barré quanto outros problemas neurológicos, são ocorrências muito raras.
Ou seja, apenas um pequeno percentual das pessoas infectadas pelo vírus zika (sejam elas sintomáticas ou assintomáticas) podem ter algum desdobramento mais grave - e ainda não se sabe quem seria mais propenso a tais complicações.
Vale lembrar também que essas complicações não são exclusivas da infecção por zika, podendo ocorrer em outras infecções por vírus ou bactérias.
Enquanto o estudo não for finalizado, em se tratando do zika, continua valendo a regra de que a infecção é mais preocupante entre as grávidas, por conta do risco de más-formações nos fetos, sobretudo a microcefalia.
Fonte: Diário da Saúde
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Narcisismo e autoestima: Quais são as diferenças?

Assim como entre os animais, os homens tendem a ser mais narcisistas que as mulheres [Imagem: Wikimedia/Pedro Maia]
Narcisismo
As pessoas narcisistas sentem-se superiores às outras, mas não necessariamente estão satisfeitas consigo próprias.
Assim, apesar da opinião generalizada entre os psicólogos de que os narcisistas têm uma autoestima inflada, excessiva ou extremamente alta, os dados reais mostram que o narcisismo e a autoestima são fundamentalmente diferentes um do outro.
Isto foi demonstrado agora em um trabalho publicado na revista Current Directions in Psychological Science, envolvendo os pesquisadores Eddie Brummelman (Universidade de Amsterdã), Sander Thomaes (Universidade de Utrecht) e Constantine Sedikides (Universidade de Southampton).
Características do narcisismo
A pesquisa revela que os narcisistas têm pouca necessidade de relacionamentos cordiais e íntimos.
O seu objetivo principal é o de mostrar aos outros o quão superiores eles são, ansiando constantemente a admiração dos outros.
Quando os narcisistas recebem a admiração que desejam, eles se sentem orgulhosos e eufóricos. Mas, quando a admiração não vem, eles sentem vergonha e podem até responder com raiva e agressividade.
Características da autoestima
Pessoas com autoestima muito alta, por outro lado, estão satisfeitas consigo mesmas e não se sentem superiores aos outros.
Elas se veem como indivíduos valiosos, mas não mais valiosos do que os outros. Gostam de estabelecer relações íntimas e próximas com outras pessoas e não necessariamente querem ser admiradas.
Além disso, elas raramente se tornam agressivas ou reagem com raiva ao comportamento dos outros.
Diferenças entre narcisismo e autoestima
E o narcisismo e a autoestima não diferem só na sua natureza e nos comportamentos que eles geram.
Os dois comportamentos têm origens totalmente distintas na infância, apontam os autores, e se desenvolvem de forma diferente ao longo do tempo de vida.
"A diferenciação entre o narcisismo e a autoestima tem implicações importantes para os esforços de intervenção. Ao longo das últimas décadas, a juventude ocidental tornou-se cada vez mais narcisista. Portanto, é importante desenvolver intervenções que reduzam o narcisismo e aumentem a autoestima," concluiu o professor Brummelman.
Fonte: Diário da Saúde
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Celular flexível permite dobrar os aplicativos

A possibilidade de dobrar o aparelho adiciona uma gama totalmente nova de interações. [Imagem: HML/Queensu]
Aí está o ReFlex, o primeiro smartphone realmente flexível, que permite que os usuários literalmente dobrem seus aplicativos.
"Quando um usuário joga Angry Birds no ReFlex, ele dobra a tela para esticar o estilingue. À medida que a borracha estica, o usuário experimenta vibrações que simulam as de um elástico de verdade esticando. Quando é liberada, a borracha estala, dando uma sacudidela no telefone e mandando o pássaro voando pela tela," explica o professor Roel Vertegaal, da Universidade de Queens, no Canadá.
Apesar de ser um protótipo, além de flexível o aparelho já conta com uma tela comercial de alta resolução e sensível ao toque, comunicação sem fios completa e todos os sensores para aproveitar suas flexibilidades e curvaturas.
A possibilidade de dobrar o aparelho adiciona uma gama totalmente nova de interações.
Ao ler um texto, por exemplo, as páginas podem ser viradas no modo tradicional, com a passagem dos dedos sobre a tela, ou simplesmente dobrando o celular levemente, como se faz com um livro ou revista.
"Os usuários podem sentir a sensação da página se movendo através de seus dedos por meio de uma vibração do telefone. Isso permite a navegação sem mexer os olhos, tornando mais fácil para os usuários manter o controle de onde eles estão em um documento," disse o professor Vertegaal.
Celular flexível permite dobrar os aplicativos
[Imagem: HML/Queensu]
O celular flexível é baseado em uma tela de OLEDs flexíveis de 720p, fabricada pela LG. O hardware principal fica ao lado, podendo ser vistos nas fotos, no pequeno bolso à direita. O aparelho roda Android 4.4.
Sensores de dobra atrás da tela detectam a força com que o usuário flexiona o aparelho e disponibilizam as informações para que os aplicativos possam usá-las.
feedback também avança muito em relação às simples tremidas, gerando vibrações capazes de simular força e fricção.
Isto, segundo a equipe, permite uma simulação altamente realista de forças físicas quando se interage com objetos virtuais.
Apesar dos progressos, o professor Vertegaal afirma que os smartphones flexíveis e dobráveis levarão pelo menos cinco anos para chegar às mãos dos consumidores.
Fonte: Inovação Tecnológica
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Índice de Massa Corporal é condenado à morte por cientistas

Se o Índice de Massa Corporal será de fato condenado à morte ou não é algo que deverá gerar muitas discussões. O problema maior, contudo, deverá ser apagá-lo da memória da população após o eventual enterro.[Imagem: UCSB]
No que pretende ser a sentença de morte para esse indicador, a outrora tão elogiada medida de saúde conhecida índice de massa corporal (IMC) acaba de receber uma condenação fatal.
Uma equipe da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e Los Angeles revelou que milhões de norte-americanos rotulados com sobrepeso ou obesidade com base no seu IMC (índice de massa corporal) são, de fato, "perfeitamente saudáveis".
"Na categoria de IMC acima do peso, 47% são perfeitamente saudáveis. Então, utilizar o IMC como um avaliador de saúde - particularmente para todos dentro dessa categoria - é simplesmente incorreto. Nosso estudo deve ser o prego final no caixão do IMC," sentenciou o Dr. Jeffrey Hunger, líder da equipe, que publicou seus resultados no International Journal of Obesity.
A equipe analisou a relação entre o IMC - calculado dividindo-se o peso da pessoa em quilogramas pelo quadrado da sua altura em metros - e vários outros indicadores de saúde, incluindo pressão arterial, açúcar no sangue e colesterol.
"Usamos uma definição bastante rigorosa de saúde. Você tinha que estar em níveis clinicamente saudáveis em quatro dos cinco indicadores de saúde avaliados [para ser considerado saudável]," detalhou o pesquisador.
Os dados indicam que 34,4 milhões de norte-americanos considerados acima do peso e 19,8 milhões considerados obesos - sempre com base no IMC - são realmente saudáveis.
Mesmo 2 milhões de pessoas identificadas como "muito obesas" em virtude de terem um IMC de 35 ou mais são na verdade saudáveis - isto representa cerca de 15% da população assim classificada.
Mas não foi só isso.
A pesquisa também revelou que apenas cerca de 30% das pessoas com IMC na faixa "normal" são realmente saudáveis com base em seus outros marcadores.
"O IMC não só designou erroneamente 54 milhões dos indivíduos mais pesados como não saudáveis, ele de fato negligenciou um grande grupo de indivíduos considerados com um IMC saudável que estão de fato não saudáveis quando você olha para indicadores clínicos subjacentes," disse Hunger.
Se o Índice de Massa Corporal será de fato condenado à morte ou não é algo que deverá gerar muitas discussões. O problema maior, contudo, deverá ser apagá-lo da memória da população após o eventual enterro.
Fonte: Diário da Saúde
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Ondas gravitacionais são detectadas pela primeira vez

O interferômetro mede qualquer coisa que possa "esticar" um dos braços do experimento por uma extensão tão pequena quanto o diâmetro de um próton.[Imagem: LIGO]
Ondas gravitacionais
A equipe internacional responsável pelos experimentos LIGO anunciou ter detectado ondas gravitacionais pela primeira vez.
As ondas gravitacionais foram previstas teoricamente em 1905, nos trabalhos de Henri Poincaré, Hendrik Lorentz e Albert Einstein, em um momento em que toda a comunidade física e astronômica trabalhava em uma nova visão do Universo que pudesse dar uma explicação mais ampla à força da gravidade.
Na nova estrutura teórica que emergiu, espaço e tempo são tramas de um tecido chamado espaço-tempo, tecido esse que é curvado pela presença de grandes massas, o que faz com que corpos menores, como a maçã de Newton, tendam a cair em direção a eles.
As ondas gravitacionais detectadas surgem quando corpos de massas muito grandes interagem, causando ondulações no tecido do espaço-tempo que se espalham pelo Universo.
Detecção das ondas gravitacionais
"Senhoras e senhores, nós detectamos ondas gravitacionais," anunciou com pompa o professor David Reitze, diretor da colaboração LIGO durante uma coletiva à imprensa realizada na tarde de hoje.
O sinal veio de um par de buracos negros planetários, ou pulsares, um com 29 e outro com 36 vezes a massa do Sol. As medições indicam que esses buracos negros estão no céu austral (Hemisfério Sul), embora não seja possível identificar sua posição exata.
Os dois interferômetros do LIGO detectaram o sinal da expansão e retorno do espaço-tempo, que se esticou o equivalente a um milésimo do diâmetro de um próton - é muito pouco, mas é 10 vezes mais do que a precisão dos instrumentos, dando confiabilidade ao resultado.
Foi um golpe de sorte para coroar um monte de esforço. A fase científica do instrumento, que acabara de passar por uma atualização tecnológica, só começaria no dia 17 de Setembro de 2015, mas o sinal apareceu no dia 14, quando estavam sendo feitos ajustes para garantir que tudo estava funcionando bem. Além disso, buracos negros não colidem o tempo todo, sendo um sinal muito raro.
Todos os objetos emitem ondas gravitacionais, conforme sua massa interage com o espaço-tempo, mas quando dois buracos negros, que têm massas enormes, colidem e se fundem, eles distorcem o espaço-tempo muito mais, gerando ainda mais ondas gravitacionais.
A energia despendida na geração das ondas gravitacionais detectadas explica porque o buraco negro resultante da fusão ficou com 62 vezes a massa do Sol, três sóis a menos do que a soma dos dois originais.
Ondas gravitacionais são detectadas pela primeira vez
Corpos de grande massa, como estrelas de nêutrons, pulsares e buracos negros, geram um emaranhado de ondas gravitacionais. [Imagem: Henze/NASA]
Mistérios do Universo
A detecção das ondas gravitacionais abre um novo capítulo na astronomia.
Da mesma forma que as ondas infravermelhas, de raios X e outras permitiram ver facetas do Universo invisíveis pelas ondas de luz visíveis, as ondas gravitacionais permitirão estudar alguns dos objetos mais misteriosos dos cosmos, como as estrelas de nêutrons e os buracos negros.
A grande vantagem é que as ondas gravitacionais permitirão enxergar através de regiões tão densas como os centros das galáxias, quase como se eles fossem transparentes.
Além disso, como a teoria propõe que o Big Bang deve ter gerado ondas gravitacionais como nenhum outro evento posterior, espera-se que novas observações, como as realizadas pela sonda espacial LISA, e futuros observatórios, como o Telescópio Einstein, possam traçar o equivalente gravitacional da radiação cósmica de fundo.
Observatório LIGO
Depois do insucesso do experimento BICEP2, as ondas gravitacionais foram detectadas pela colaboração LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), que tem participação de brasileiros.
O projeto LIGO conta com dois enormes interferômetros em formato de L instalados nos EUA, um localizado em Livingston (Louisiana) e outro em Hanford (Washington), a cerca de 3.000 km um do outro. São necessários pelo menos dois detectores para eliminar "ruídos", fontes geradoras de ondas que não são gravitacionais, mas que podem iludir os instrumentos ultrassensíveis.
Como as ondas gravitacionais têm comprimentos muito longos e viajam à velocidade da luz, há um retardo de cerca de 10 milissegundos na detecção em cada um dos instrumentos, permitindo eliminar esses ruídos.
Na próxima campanha de observação do LIGO, que começará nos próximos meses, será possível contar com a participação de outro detector de ondas gravitacionais, o italiano VIRGO - com três, será possível triangular a fonte do sinal, apontando exatamente onde foram geradas as ondas gravitacionais detectadas.
Matéria colhida na íntegra em Inovação Tecnológica
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

No fluxo contínuo do tempo não há lugar para o presente

A professora Joan Vaccaro contesta a noção geral de que há uma assimetria entre espaço e tempo. [Imagem: Griffith University]
Assimetria entre tempo e espaço
A professora Joan Vaccaro, da Universidade Griffith, na Austrália, está desafiando a noção há muito tempo aceita pela ciência de que a seta do tempo - a incessante evolução do universo do passado rumo ao futuro - é uma parte elementar da natureza.
Nesse campo, entre teorias e experimentos, há propostas para todos os gostos, desde a confirmação da seta do tempo até a demonstração de que o futuro afeta o passado. Ou você pode optar por comparar a confirmação de que o Universo não dá marcha-a-ré com a ideia de que a sequência de causa e efeito não faz sentido no reino quântico.
A professora Vaccaro não fica com a maioria, e sugere que há uma origem mais profunda e mais elementar do espaço-tempo porque há uma diferença entre os dois sentidos do tempo: para o futuro e para o passado.
"Na conexão entre tempo e espaço, o espaço é mais fácil de entender porque ele simplesmente está lá. Mas o tempo está sempre nos forçando para o futuro.
"Entender como a evolução do tempo nos aparece desta forma abre toda uma nova visão sobre a natureza fundamental do próprio tempo. E pode até nos ajudar a entender melhor ideias bizarras como viajar no tempo," contextualiza ela.
Simetria do espaço e do tempo
A pesquisadora começa descrevendo a assimetria entre tempo e espaço, no sentido de que os sistemas físicos inevitavelmente evoluem ao longo do tempo, ao passo que não existe uma relação correspondente onipresente no espaço.
É essa assimetria que se vem presumindo ser um elemento básico na natureza, sendo expressa por equações das leis de movimento e de conservação de energia que operam de forma diferente ao longo do tempo e do espaço.
No entanto, a professora Vaccaro usou um "formalismo soma sobre caminhos", ou "soma sobre as histórias", elaborado por Richard Feynman, para demonstrar a possibilidade de uma simetria entre tempo e espaço, ou seja, contestando a visão convencional da seta do tempo e da inexorável evolução do passado para o futuro.
No fluxo contínuo do tempo não há lugar para o presente
Outros pesquisadores especulam que reverter o tempo pode criar tecnologias futurísticas. [Imagem: Frazier et al.]
"Experimentos com partículas subatômicas ao longo dos últimos 50 anos mostram que a natureza não trata as duas direções do tempo de forma igual. Em particular, partículas subatômicas chamadas mésons K e B se comportam de forma ligeiramente diferente, dependendo do sentido do tempo.
"No entanto, embora nós estejamos realmente avançando no tempo, há também sempre algum movimento para trás, uma espécie de efeito de sacudidela, e é esse movimento que eu quero medir usando estes mésons K e B," diz a física.
Evolução contínua
"Quando esse comportamento sutil é incluído em um modelo do Universo, o que vemos é o Universo mudando de ser fixo em um momento no tempo para estar continuamente evoluindo. Em outras palavras, o comportamento sutil parece ser responsável por fazer o Universo se mover no tempo," explica Vaccaro.
Em outras palavras, considerar que o futuro surge do presente implica em aceitar um presente "fixo", ao menos no momento específico chamado presente, enquanto a pesquisadora acredita que suas equações mostram que nunca há "fixidez" - só há fluxo, o fluxo que empurra o passado para o futuro, impulsionado pela "agitação" intrínseca do mundo subatômico.
Isto pode representar uma mudança radical do ponto de vista filosófico. Pode-se, por exemplo, questionar noções do tipo "Concentre-se no seu presente", substituindo-as por algo como "Siga o fluxo".
Enquanto espera pelos experimentos que possam demonstrar seu formalismo matemático, Vaccaro diz que a pesquisa fornece uma solução para a origem da dinâmica, uma questão nunca resolvida que incomoda a ciência há muito tempo.

Matéria colhida na íntegra em Inovação Tecnológica
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Relógio biológico humano pode atrapalhar colonização do espaço

Felizmente não é preciso apelar para a genética para acertar seu ritmo circadiano: o relógio biológico pode ser acertado com a luz certa.[Imagem: Fiocruz]
Relógio biológico planetário
Se o ser humano pretende mesmo conquistar o espaço, colonizando outros planetas, as preocupações podem ir além da já conhecida radiação espacial.
Ocorre que o corpo humano possui um ritmo circadiano - o chamado relógio biológico - que se desenvolveu para as condições específicas da Terra.
Isso significa que nosso relógio biológico está ajustado de acordo com a velocidade de rotação da Terra - em outras palavras, para a duração do dia e da noite do nosso planeta natal.
Basta que a duração do dia natural do planeta a ser colonizado difira ligeiramente do dia terrestre - algumas horas - para que os problemas comecem a aparecer.
Extinção acelerada
Uma equipe de cientistas da Holanda, Alemanha e Reino Unido manipulou geneticamente animais de laboratório, alterando um gene que acelera seu ciclo circadiano natural. Com isso, os animais passaram a ter "dias biológicos" com duração entre 20 e 24 horas.
Para simular o mundo real, os animais foram soltos em cercados ao ar livre, com livre acesso a comida e abrigo. Isso permitiu observar como os animais com os relógios biológicos acelerados se comportavam em relação àqueles com ritmos circadianos normais de 24 horas. O experimento durou 14 meses, permitindo estudar várias gerações dos camundongos.
Relógio biológico humano pode atrapalhar colonização do espaço
Hoje já se sabe que o relógio biológico humano é alimentado eletricamente e, recentemente, pesquisadores japoneses descobriram como ler as horas no relógio biológico humano, o que talvez possa ajudar na seleção dos candidatos a astronauta. [Imagem: NASA]
Embora a população "acelerada" não tenha sido totalmente extinta no período estudado, sua população caiu drasticamente.
Os camundongos com relógio biológico mais rápido tornaram-se gradualmente menos comuns ao longo de sucessivas gerações, de modo que, ao final do estudo, a população era dominada pelos animais com relógios normais de 24 horas.
Relógio biológico dos astronautas
Segundo a equipe, isso tem implicações diretas sobre as futuras viagens espaciais. Por exemplo, o dia em Marte é 37 minutos mais longo do que o dia da Terra.
"A velocidade de rotação de Marte pode estar dentro dos limites do relógio interno de algumas pessoas, mas pessoas com relógios circadianos mais curtos, como as pessoas extremamente matutinas, são susceptíveis a enfrentar problemas sérios e intratáveis a longo prazo, e talvez devessem ser excluídas de quaisquer planos da NASA ao enviar seres humanos a Marte," disse o Professor Andrew Loudon, da Universidade de Manchester, um dos autores do estudo, publicado na revista científica Pnas.
Mas a pesquisa tem implicações importantes para a saúde humana aqui na Terra mesmo: alterações no relógio biológico associadas com o trabalho e a iluminação noturna têm sido associadas com vários problemas de saúde, como o aumento do risco de diabetes tipo 2. A julgar pelo que aconteceu aos camundongos do experimento, talvez os problemas não parem por aí.
Matéria colhida na íntegra em Diário da Saúde
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