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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Jovens que cresceram na era dos smartphones estão menos preparados para a vida adulta


Geração smartphone passa seis horas por dia conectada, segundo a pesquisador. Imagem: Gettiy images
A geração daqueles que nasceram após 1995, chamada "geração smartphone", vem amadurecendo mais lentamente que as anteriores.
Eles são menos propensos a dirigir, trabalhar, fazer sexo, sair e beber álcool, de acordo com Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos.
Suas conclusões estão no recém-publicado livro iGen: Why Today's Super-Connected Kids are Growing up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy - and Completely Unprepared for Adulthood (iGen: Por que as crianças superconectadas estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes - e completamente despreparadas para a vida adulta, em tradução livre), com os resultados de uma investigação baseada em pesquisas com 11 milhões de jovens americanos e entrevistas em profundidade.
A pesquisadora explicou que esses jovens cresceram em um ambiente mais seguro e se expõem menos a situações de risco. Mas, por outro lado, chegam à universidade e ao mundo do trabalho com menos experiências, mais dependentes e com dificuldade de tomar decisões.
"Os de 18 anos agem como se tivessem 15 em gerações anteriores", comenta Twenge.
Ela diz que isto tem relação com a superconectividade típica desta geração, que passa em média seis horas por dia conectado à internet, enviando mensagens e jogando jogos online.
Por conta disto, acabam passando menos tempo com amigos, o que pode afetar o desenvolvimento de suas habilidades sociais.
O estudo mostrou ainda que quanto mais tempo o jovem passa na frente do computador, maiores os níveis de infelicidade.
"O que me impressionou na pesquisa foi que os adolescentes estavam bastante cientes dos efeitos negativos dos celulares", comentou a pesquisadora.
"E um estudo com 200 universitários que fizemos mostrou que quase todos prefeririam ver seus amigos pessoalmente", continua.
Essa consciência, no entanto, não se traduz em prática.
A Geração Smartphone, segundo a pesquisa com base no universo americano, sofre com altos níveis de ansiedade, depressão e solidão.
A taxa de suicídio, por exemplo, triplicou na última década entre meninas de 12 a 14 anos.

Fonte e mais informações em: BBC Brasil
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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Três plantas medicinais mostram potencial para tratar câncer


Dina Hajjar comprovou propriedades anticancerígenas em pelo menos três plantas utilizadas pela medicina tradicional na Arábia Saudita.
[Imagem: KAUST 2017]
Buscando expandir o arsenal de tratamentos para o câncer, uma equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah investigou o potencial biológico (bioatividade) de uma variedade de plantas utilizadas pela medicina tradicional na Arábia Saudita.
O uso de ervas medicinais é comum no país, explica a pesquisadora Dina Hajjar: "No entanto, quase não há estudos científicos. O povo saudita tende a usar informações herdadas de suas famílias para decidir sobre usar essas plantas, sem conhecimento validado de sua atividade biológica ou química".
Depois de começar com 52 plantas reconhecidas popularmente, Hajjar selecionou três que se mostraram particularmente promissoras: Juniperus phoenicea (conhecida em fitoterapia como Arar ou zimbro fenício), Anastatica hierochuntica (conhecida como Kaff Maryam ou Rosa de Jericó) e Citrinull colocynthis (conhecida como Hanzal ou pepino amargo).
A equipe usou uma técnica chamada perfil fenotípico para avaliar a atividade anticancerígena das três plantas medicinais. Essa abordagem compara os perfis citológicos de frações retiradas das plantas com um conjunto de compostos de referência com mecanismos de ação já conhecidos.
Isso permitiu comprovar que essas três plantas contêm potentes substâncias anticancerígenas, mais especificamente inibidores da topoisomerase, que são compostos que podem bloquear as enzimas topoisomerase, que controlam mudanças no DNA.
Contudo, serão necessárias várias outras etapas antes que estes compostos sejam devidamente testados e colocados à disposição dos médicos para tratamentos clínicos contra o câncer.
"Os compostos ativos identificados no estudo precisarão ser avaliados e melhor caracterizados. Além disso, os compostos ativos precisam ser sintetizados e testados in vivo," disse Hajjar.
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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Por que Einstein teve que esperar que um eclipse confirmasse sua teoria da relatividade?


Um eclipse foi crucial para provar que a teoria de Einstein estava correta. Imagem: Science Photo Library
Em 1905 nosso Universo mudou. Um funcionário de 26 anos que trabalhava no escritório de propriedade intelectual da Suíça transformou nossa visão sobre o espaço, o tempo, a matéria e a energia.
Ele tinha uma gaveta secreta que, segundo dizia a seus amigos, era seu Departamento de Física Teórica. Dali saíram, entre março e junho daquele ano, cinco trabalhos científicos que revolucionaram as leis da física.
Um deles foi um método para determinar o tamanho dos átomos, com o qual finalmente recebeu seu título de doutor (foi sua terceira tentativa).
Os outros quatro são os chamados "artigos do Annus Mirabilis (ano milagroso, em latin", que enviou para a revista Annalen der Physik. Eles explicavam o movimento browniano, o efeito fotoelétrico e desenvolviam a equivalência massa-energia e a relatividade especial.
Com este último artigo, fez da velocidade da luz uma constante universal e derrubou as máximas newtonianas de espaço e tempo.
Uma década depois, na última de uma série de conferências na Academia Prusiana de Ciências em que descreveu a teoria da relavidade geral, ele apresentou a equação que substituiria a lei da gravidade de Newton.
Ah! Estamos falando de Albert Einstein.

Dois séculos de Newton

Desde 1687, a lei da gravitação universal de Newton havia explicado tudo - desde o movimento do que estava sobre a Terra até o movimento celestial dos astros. E, durante mais de dois séculos, havia passado por todas as provas que foram postas diante dela.
Em contraste, a nova teoria de Einstein tinha um problema que, apesar de genial, era difícil de resolver.
Einstein chegou à teoria da relatividade geral raciocinando, deduzindo e experimentanto hipoteticamente. Tudo foi um produto extraordinário de sua mente, não havia uma base experimental física.
Mas para derrubar uma teoria dominante, a nova deve poder fazer uma previsão que mostre a diferença entre a ideia anterior e a que está sendo proposta.
E essa previsão tem que ser posta à prova.

Um eclipse total do Sol

A teoria de Einstein incluia uma previsão teória que podia ser posta a prova durante um eclipse total do Sol.
Sua hipótese era que os raios luminosos que passavam próximos do Sol deviam desviar-se ligeiramente devido ao campo gravitacional do corpo celeste.
Para Einstein, a equivalência entre aceleração e gravidade se extendia aos fenômenos eletromagnéticos e a luz é uma onda eletromagnética. Já para Newton, a luz não tinha massa.
A razão pela qual se necessitava de um eclipse total era porque somente quando a Lua passa diante do Sol e bloqueia sua luz o céu fica tão escuro como a noite e é possível ver estrelas.
Se Einstein estivesse certo, quando um observador da Terra visse essas estrelas durante um eclipse, suas posições pareceriam estar deslocadas por um trecho progressivamente maior, quanto mais próximas elas estivessem do Sol.

O terceiro eclipse

Depois que Einstein expõs sua teoria geral da relatividade em 1915, houve um eclipse em 1916, mas a Primeira Guerra Mundial interferiu. A próxima oportunidade seria em 1918, mas as nuvens não deixaram.
Em 29 de maio de 1919, o astrônomo britânico Arthur Stanley Eddington viajou à Ilha do Príncipe, na costa oriental da África, com o objetivo de fotografar a luz das estrelas durante um eclipse e ver se a teoria de Einstein era correta. E conseguiu.
Duas das imagens feitas pelo astrônomo Arthur Eddington e que confirmaram a teoria geral da relatividade. Imagem: Science Photo Library
As imagens que Eddington captou durante quase 7 minutos foram analisadas pela Royal Society e pela Royal Astronomical Society.
Em novembro de 1919, as instituições anunciaram: "não há dúvida de que (as imagens) confirmam a previsão de Einsten. Se obteve um resultado muito definitivo de que a luz se desvia de acordo com a lei da gravitação de Einstein".
Essa mudança no caminho da luz das estrelas ao passar próximo ao Sol derrubou a teoria de Newton.
Os resultados do eclipse de 1919 fizeram com que Einstein e sua teoria se tornassem mundialmente famosos. Nos anos seguintes, os dados e as análises obtidos durante o eclipse de 1919 foram questionados. Mas estudos de outros eclipses ocorridos depois validaram novamente a teoria da relatividade geral de Einstein.
E seguem validando. Assim, quando tiver a sorte de observar um eclipse total do Sol, repare se você vê algum ponto de luz próximo da coroa visível do astro. Será uma estrela, mas não se esqueça de que ela não está precisamente onde você a vê.
E lembre que esse conhecimento mudou a nossa visão sobre o Universo.

Matéria colhida na íntegra em BBC Brasil
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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Cientistas demonstram a capacidade do nosso cérebro de aprender enquanto dormimos


Durante a fase de sono REM, cérebro é capaz de assimular novas informações, diz pesquisa. Imagem: Getty Images
O sono é uma importante forma de repor nossas energias, mas qual papel ele tem em incorporar novas informações ao nosso cérebro?
Segundo um estudo publicado nesta semana pelo periódico científico Nature Communications, o cérebro é capaz de aprender novos dados, mas apenas durante a fase de sono REM (movimento rápido dos olhos, na sigla em inglês).
Para avaliar essa habilidade, o pesquisador Thomas Andrillon, da universidade parisiense PSL, monitorou o sono de 20 pessoas, que escutaram uma série de padrões de sons mesclados com ruídos brancos (sinal sonoro que contém todas as frequências na mesma potência, como o som do ar-condicionado ou da TV fora do ar) enquanto estavam acordados e, depois, enquanto dormiam.
Na manhã seguinte ao experimento, Andrillon e sua equipe pediram aos participantes que identificassem os padrões de sons a que haviam sido submetidos. Os que memorizaram melhor foram os que escutaram os sons durante a fase de sono REM.
O experimento submeteu os participantes a ruídos brancos. Imagem: Getty Images
"O que fizemos foi usar uma forma peculiar de aprendizado chamada aprendizado de sons acústicos", explica Andrillon à BBC. "É uma forma bastante complexa de aprender, porque o material que você aprende é ruído branco acústico, que é completamente aleatório."
"Para nossa surpresa, esse é o tipo de aprendizado que membrana auditiva pode fazer de modo quase automático", acrescenta ele. "Quando apresentamos um fragmento de ruído branco de forma repetida, o cérebro começa automaticamente a aprendê-lo e a individualizá-lo."

Teoria inconclusiva

O resultado da pesquisa, de acordo com Andrillon, reconcilia as duas teorias prevalentes - e concorrentes - quanto ao papel do sono na memória.
A teoria do pesquisador Andrillon concilia duas ideias contraditórias sobre o papel do sono na memória. Imagem: Getty Images
De um lado, um grupo de cientistas acredita que o sono ajuda a consolidar a memória, reativando as conexões neurais envolvidas no processo de aprendizagem enquanto ainda estamos acordados. De outro, há os que sustentam que, ao dormir, o cérebro se desfaz das conexões neurais mais fracas para permitir que as mais fortes se solidifiquem.
A teoria recém-publicada une essas duas visões opostas porque sustenta que, enquanto dormimos, o cérebro faz as duas coisas - cada uma delas em uma fase diferente do sono.
Andrillon esclarece que, ainda que o estudo traga evidências da capacidade do cérebro de adquirir informação nova durante o sono, isso não significa que sejamos capazes de processar informações complexas - por exemplo, aprender um novo idioma ou memorizar um texto acadêmico.
"Durante o sono, podemos usar essa forma implítica de aprendizado para reprogramar algumas memórias, como neutralizar fobias ou recordações traumáticas", diz o pesquisador.
Para alguns cientistas, porém, mais pesquisas são necessárias para entender o processo de incorporação de dados durante o sono.
O neurocientista Jan Born, da Universidade de Tübingen (Alemanha), que não está envolvido no estudo, afirmou ao Washington Post que o estudo francês mostra o que ocorre no cérebro enquanto formamos novas memórias durante o sono. Mas a memória tradicional - ou seja, as recordações do que vivemos enquanto estamos acordados - talvez não funcione assim, argumenta ele.

Matéria colhida na íntegra em BBC Brasil
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Bem-estar na maturidade: Psicológico é mais importante que físico


O nível de bem-estar dos idosos é determinado sobretudo pelos fatores psicossociais.
Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay
De forma um tanto surpreendente, o bem-estar na terceira idade depende sobretudo dos fatores psicossociais. As deficiências físicas, decorrentes de doenças ou do próprio envelhecimento, tendem a desempenhar um papel secundário.
"O envelhecimento por si mesmo não está inevitavelmente associado a um declínio no humor e na qualidade de vida. Em vez disso, são fatores psicossociais, como a depressão ou a ansiedade, que prejudicam o bem-estar subjetivo. E, no caso das mulheres, viver sozinha também desempenha um papel importante," relata o professor Karl-Heinz Ladwig, que fez esta pesquisa com seus colegas do Centro Helmholtz e da Universidade Técnica de Munique (Alemanha).
Para chegar a essas conclusões, o Prof. Ladwig e sua equipe basearam-se em dados provenientes de cerca de 3.600 voluntários, com uma idade média de 73 anos, que participaram de um estudo chamado KORA-Age, sendo monitorados por quase 30 anos, da meia-idade até a terceira idade.
"O que tornou este estudo particularmente interessante foi o fato de que o impacto do estresse sobre o bem-estar emocional foi analisado em um contexto mais amplo e não clínico," explicou Karoline Lukaschek, coautora do trabalho. "Nosso estudo, portanto, incluiu explicitamente ansiedade, depressão e distúrbios do sono."
Mesmo com os voluntários sendo acompanhados em relação a todos os aspectos de sua saúde, as causas mais importantes para o bem-estar subjetivo revelaram ser principalmente fatores psicossociais: acima de tudo, a depressão e os transtornos de ansiedade tiveram o maior efeito negativo em um bem-estar que, na linha de base, se mostrou bastante elevado. Ter baixo rendimento financeiro e problemas de sono também tiveram um efeito negativo.
Mesmo uma saúde física fraca, envolvendo, por exemplo, baixa atividade física ou a chamada multimorbidade, mostraram ter pouco impacto na satisfação com a vida relatada pelos participantes. Entre as mulheres, viver sozinha também aumentou significativamente a probabilidade de uma baixa sensação de bem-estar.
"Os resultados deste estudo demonstram claramente que serviços e intervenções adequados podem desempenhar um papel importante para as pessoas idosas, especialmente para as mulheres mais velhas que vivem por conta própria," afirma o professor Ladwig. "E isso é ainda mais importante dado que sabemos que altos níveis de bem-estar subjetivo estão ligados a um menor risco de mortalidade".

Fonte: Diário da Saúde
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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ataque cardíaco é condição sistêmica, que vai muito além do coração


O infarto não afeta apenas o coração, afeta vários outros órgãos, que devem ser levados em consideração no tratamento.
Imagem: Medical University of Vienna
Infarto vai além do coração
Um ataque cardíaco agudo não deve ser visto isoladamente - o infarto do miocárdio é uma condição "sistêmica" com impacto em todo o corpo e produz respostas em outros órgãos, como fígado e baço.
Esta é a principal conclusão de um estudo realizado pela equipe dos professores Matthias Zimmermann, Hendrik Jan Ankersmit e Michael Mildner, da Universidade Médica de Viena (Áustria).
"Nós demonstramos a necessidade de repensar nossa visão de túnel, que se concentra unicamente no coração, nos casos de ataque cardíaco," destacou o professor Zimmerman. "Um infarto do miocárdio não é um evento isolado - o resto do corpo também responde".
"Pela primeira vez, conseguimos descrever cientificamente o quadro completo de um infarto do miocárdio, o que contribui enormemente para a nossa compreensão em termos da biologia de sistemas," acrescentou o professor Ankersmit.
Visão holística do infarto
Até agora, a ciência e a medicina vêm tentando entender os processos moleculares e celulares após um ataque cardíaco usando uma abordagem monocausal, em vez de adotar uma visão holística. Por causa disso, muito pouco se sabe sobre o impacto do infarto sobre o tecido circundante e sobre outros órgãos.
Para tentar superar essa deficiência, a equipe utilizou um modelo animal grande - os porcos são geralmente a última linha de testes, antes que as conclusões obtidas em laboratório sejam testadas em humanos.
Os resultados mostraram que milhares de genes estão envolvidos em um ataque cardíaco: o ataque cardíaco altera a expressão de quase 9 mil genes no coração, mas também 900 no fígado e cerca de 350 no tecido do baço dentro das primeiras 24 horas do infarto. Ao mesmo tempo, a equipe foi capaz de identificar o papel importante desempenhado pelo fator de transcrição Klf4, uma proteína que é importante para ativar muitos outros genes.
As conclusões obtidas nos animais foram então testadas em material de autópsia humana e se mostraram igualmente válidas.
"A isquemia miocárdica, ou seja, um ataque cardíaco, não termina com o dano ao músculo cardíaco. Nossos resultados mostram que muitos outros órgãos são afetados e há evidências consideráveis de que vários sistemas de órgãos diferentes estão envolvidos na resposta do corpo ao infarto," escreveram os pesquisadores em seu artigo na revista Oncotarget.
Segundo a equipe, estas novas descobertas não questionam o atual tratamento agudo para ataques cardíacos, mas abrem o debate sobre se o tratamento futuro deve ser visto sistemicamente e deve abordar diferentes áreas do corpo.

Fonte: Diário da Saúde
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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Dormir mal diminui capacidade de ver coisas positivas


A depressão pode não reduzir sua expectativa de vida, mas tornará seus dias mais tristes. Imagem: Pixabay
Se você está com problemas de sono ou não consegue dormir o suficiente, não é apenas a sua saúde física que está sendo prejudicada: Você está prejudicando sua saúde mental também.
De acordo com o professor Ivan Vargas, da Universidade do Estado da Pensilvânia (EUA), pessoas privadas de sono perdem parte da sua capacidade de serem pessoas de mentalidade positiva.
Isso pode não parecer grave, mas especialistas afirmam que a incapacidade de pensar positivamente é um sério sintoma de depressão que pode ser perigoso se não for resolvido.
"Em geral, nós temos uma tendência a notar estímulos positivos em nosso ambiente," disse Vargas. "Nós tendemos a nos concentrar em coisas positivas mais do que em qualquer outra coisa, mas agora estamos vendo que a privação do sono pode reverter esse viés".
Vargas e sua equipe pegaram 40 adultos saudáveis e distribuíram-nos aleatoriamente em dois grupos, um dos quais passou 28 horas consecutivas acordados, enquanto o outro passou por oito horas completas de sono.
Todos os voluntários então participaram de um teste de computador que mede a precisão e tempo de resposta na identificação de rostos felizes, tristes e neutros - para avaliar como eles prestavam atenção em informações positivas ou negativas.
Aqueles que estavam com privação de sono aguda mostraram-se menos propensos a se concentrar nos rostos felizes. Eles não se concentraram mais nos rostos negativos, mas foram menos capazes de identificar os positivos.
De acordo com Vargas, isto tem implicações para as pessoas com depressão. Existem muitos sintomas de depressão - incluindo sentir-se triste e não conseguir mais apreciar coisas que você normalmente gosta - mas o sono ruim está associado a um sinal particularmente grave da condição.
"A depressão é tipicamente caracterizada como a tendência de pensar e sentir-se mais negativo ou triste. Mas, mais do que isso, a depressão está associada a sentir-se menos positivo, menos capaz de se sentir feliz," disse o pesquisador. "Da mesma forma, se você não tiver dormido o suficiente, isso reduz sua capacidade de captar as coisas positivas, o que, ao longo do tempo, pode trazer um risco de depressão."
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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O núcleo do Sol gira mais rápido do que sua superfície


Descoberta foi baseada em dados fornecidos pela sonda SoHo, projeto da NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia. Imagem: NASA
A descoberta de que o núcleo do Sol gira quase quatro vezes mais rápido do que a superfície da estrela, publicada na revista Astronomy and Astrophysics, surpreendeu os cientistas.
A ideia de que o núcleo solar pudesse girar mais rápido do que sua superfície era motivo de especulação há mais de duas décadas, mas o fenômeno nunca tinha sido de fato medido.
"A explicação mais plausível é que a rotação do núcleo seja um resquício do período em que o Sol se formou, há cerca de 4,6 bilhões de anos", afirma Roger Ulrich, professor emérito da Universidade da Califórnia em Los Angeles e um dos autores do estudo.
"É muito emocionante pensar que descobrimos uma relíquia da formação do Sol", acrescenta o cientista, que estuda o interior do astro há mais de 40 anos.
Quando o Sol nasceu
A rotação do núcleo solar pode dar pistas sobre o processo de formação da estrela. Após o nascimento do Sol, o vento solar provavelmente desacelerou a rotação da parte mais externa da estrela, segundo Ulrich.
A rotação também pode ter impacto sobre as manchas solares, segundo o especialista.
Rotação mais rápida no núcleo do Sol pode ser um vestígio da formação da estrela. Imagem: NASA
As manchas solares são áreas do Sol com uma temperatura mais baixa do que o ambiente e elevada atividade magnética. Uma única mancha pode ter diâmetro semelhante ao da Terra.
Oscilações
Os pesquisadores analisaram as ondas acústicas na superfície da atmosfera solar – algumas penetram no núcleo e interagem com outras ondas.
As áreas brancas da imagem correspondem às zonas do Sol em que o campo magnético é mais forte. Imagem: NASA
Ao medir as ondas sonoras, os cientistas determinaram com precisão o tempo que essas ondas levam para ir e voltar da superfície para o centro do Sol.
Os cálculos foram baseados em dados coletados durante 16 anos de observações com um instrumento chamado Golf, sigla para Global Oscillations at Low Frequency (Oscilações Globais de Baixa Frequência).
O instrumento se encontra, por sua vez, em uma sonda especial chamada SoHo, abreviação paraSolar and Heliospheric Observatory(Observatório Solar e Heliosférico), projeto da NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia.
15 milhões de graus
O núcleo do Sol também se diferencia da superfície em outro sentido. Sua temperatura é de cerca de 27 milhões de graus Fahrenheit ou 15 milhões de graus Celsius. Já a superfície da estrela é menos quente, com temperatura de aproximadamente 10 mil graus Fahrenheit ou 5,5 mil graus Celsius.
Enviada ao espaço em 2 de dezembro de 1995 para estudar o núcleo do Sol, a atmosfera solar e os ventos solares, a sonda SoHo segue em operação.

Fonte: BBC Brasil
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Sondas Voyager completam 40 anos rumando às estrelas


Se a vida começa mesmo aos 40, as históricas sondas Voyager estão para entrar na melhor fase de suas vidas: partindo definitivamente rumo às estrelas. Imagem: NASA
Naves que inspiram
As naves espaciais mais distantes e de maior longevidade já fabricadas pela humanidade, as Voyagers 1 e 2, completam 40 anos de operação e exploração neste mês de agosto e em setembro.
Apesar de sua grande distância, elas continuam a se comunicar diariamente com a NASA, ainda examinando a nossa fronteira final - os pontos mais distantes do espaço já estudados pelo homem.
Cada uma das sondas carrega um disco dourado com registros de sons, imagens e mensagens da Terra. Como elas teoricamente poderão durar bilhões de anos no espaço, essas cápsulas circulares do tempo poderão um dia ser um dos únicos vestígios da civilização humana.
Esta é uma das razões pelas quais a história das Voyagers influenciou não apenas gerações de cientistas e engenheiros, mas também a cultura da Terra, incluindo filmes, arte e música.
"Eu acredito que poucas missões podem sequer se comparar às conquistas das naves espaciais Voyager durante suas quatro décadas de exploração," disse Thomas Zurbuchen, administrador de ciências da NASA. "Elas nos educaram para as maravilhas desconhecidas do Universo e verdadeiramente inspiraram a humanidade para continuar explorando nosso Sistema Solar e além".
Em 2011, a Voyager 1 descobriu uma "rodovia magnética" na fronteira do Sistema Solar. Imagem: NASA/JPL-Caltech
Descobertas das sondas Voyager
As duas sondas Voyager estabeleceram inúmeros recordes em suas jornadas.
Em 2012, a Voyager 1, lançada em 5 de setembro de 1977, tornou-se a primeira nave terrestre a entrar no espaço interestelar.
A Voyager 2, lançada em 20 de agosto de 1977, é a única nave espacial a ter sobrevoado os quatro planetas externos - Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Seus numerosos encontros planetários incluem a descoberta dos primeiros vulcões ativos além da Terra, na lua de Júpiter Io; sinais de um oceano subterrâneo na lua de Júpiter Europa; a atmosfera mais parecida com a Terra no Sistema Solar, na lua Titã de Saturno; a lua gelada Miranda em Urano; e gêiseres gelados na lua Triton de Netuno.
Embora tenham deixado os planetas para trás há muito tempo - e não chegarão nem remotamente perto de outra estrela nos próximos 40 mil anos - as duas sondas ainda enviam observações sobre condições em que a influência do nosso Sol diminui e o espaço interestelar começa.
A Voyager 1, agora a quase 21 bilhões de quilômetros da Terra, viaja através do espaço interestelar rumo "norte" - ascendendo em relação ao plano dos planetas. Ela revelou que os raios cósmicos, núcleos atômicos acelerados a quase a velocidade da luz, são quatro vezes mais abundantes no espaço interestelar do que nas proximidades da Terra. Isso significa que a heliosfera, a "bolha" que contém os planetas do nosso Sistema Solar e o vento solar efetivamente funcionam como um escudo de radiação para os planetas. Os dados da Voyager 1 também sugerem que o campo magnético do meio interestelar local envolve a heliosfera.
A Voyager 2, agora a quase 18 bilhões de quilômetros da Terra, viaja para o "sul" e espera-se que ela entre no espaço interestelar nos próximos anos. As diferentes localizações das duas Voyagers permitem que os cientistas comparem agora duas regiões do espaço onde a heliosfera interage com o meio interestelar envolvente usando instrumentos que medem partículas carregadas, campos magnéticos, ondas de rádio de baixa frequência e plasma do vento solar. Quando a Voyager 2 atravessar o meio interestelar, também será possível comparar esse ambiente de dois locais diferentes simultaneamente.
Em 2009, as Voyagers descobriram uma nuvem interestelar que a física até então afirmava que não deveria existir. Imagem: The American Museum of Natural History.
Eternidade silenciosa
Como a energia dos geradores de radioisótopos das duas sondas Voyager diminui em quatro watts por ano, os engenheiros estão aprendendo a operar as naves sob restrições de potência cada vez mais apertadas. Para isso eles frequentemente precisam mandar buscar engenheiros aposentados há muito anos, os responsáveis pelo projeto e construção das duas sondas, para que eles lhes mostrem como lidar com programas escritos em linguagens de programação não mais usadas, projetadas para rodar em computadores que não existem mais.
Os membros atuais da equipe estimam que terão que desligar o último instrumento científico por volta de 2030.
No entanto, mesmo depois que as duas naves espaciais humanas pioneiras se calarem, elas continuarão em suas trajetórias na velocidade atual, de cerca de 48.280 quilômetros por hora em relação à Terra, completando uma órbita dentro da Via Láctea a cada 225 milhões de anos.
Matéria colhida na íntegra em: Inovação Tecnológica
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