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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Imagens mexem com emoções e palavras com ideias


Imagens que ilustram notícias podem desencadear atos de compaixão, mas quando se trata da formação de pontos de vista políticos, nada supera um bom texto. Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay
É bem sabido que uma imagem forte pode evocar uma resposta emocional também forte.
Mas será que uma imagem é capaz de influenciar a opinião política de um indivíduo a ponto de fazê-lo mudar de ideia?
Tom Powell, Claes de Vreese e Hajo Boomgaarden, pesquisadores da Universidade de Amsterdã (Holanda), decidiram checar isto, para verificar se o dito popular de que uma imagem vale mais do que mil palavras vale também para as posturas ideológicas.
Parece que não - ao menos não a imagem sozinha, sem nenhum texto associado, concluíram eles.
O que se verificou é que as imagens que ilustram notícias podem desencadear atos de compaixão, mas quando se trata da formação de pontos de vista políticos, nada supera um bom texto.
A equipe fez vários experimentos nos quais os voluntários foram expostos a histórias de alto impacto em temas emotivos, como a crise europeia de refugiados e a intervenção militar em conflitos estrangeiros. Os participantes viam várias combinações de imagem e texto em formato de artigos e de vídeos. Posteriormente, eles davam suas opiniões e comportamentos em relação a esses tópicos.
As imagens mostraram-se particularmente boas para evocar emoções - simpatia pelos refugiados, por exemplo - e, por sua vez, desencadear comportamentos como doar dinheiro ou assinar uma petição a favor dessas pessoas.
No entanto, as imagens não se mostraram capazes de mudar as opiniões a longo prazo. Em vez disso, os experimentos mostraram que o texto é melhor para mudar essas opiniões, provavelmente porque requer mais engajamento por parte do leitor e, por sua vez, o envolve no assunto.
"Nós também descobrimos que ver uma notícia sobre, digamos, a crise dos refugiados, em um artigo noticioso, encorajou as pessoas a ajudar os refugiados mais do que vê-la em formato de vídeo. Mais uma vez, nossos resultados sugerem que, no geral, quando as pessoas leem notícias, elas se envolvem mais com ela do que se a assistirem.
"[...] Imagens 'poderosas' podem atrair as pessoas para a notícia, mas os cidadãos não serão completamente conquistados por elas - é como as imagens se combinam com as palavras e com o conhecimento prévio da audiência o que realmente importa," concluiu Powell.
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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Estudo mundial mostra que o mais saudável é consumir gorduras moderadamente


Os resultados são consistentes com estudos anteriores, como aquele em que médicos gêmeos compararam dietas ricas em carboidratos e em gorduras. Imagem: Joanna Barwick/BBC
Uma pesquisa com mais de 135 mil pessoas em cinco continentes mostrou que uma alimentação que inclui uma "ingestão moderada" de gordura e frutas e vegetais, e evita altos níveis de carboidratos, está associada a um menor risco de morte.
Para ser específico sobre "moderado", o menor risco de morte foi identificado entre as pessoas que consomem três a quatro porções (ou um total de 375 a 500 gramas) de frutas, vegetais e leguminosas por dia, com pouco benefício adicional de mais do que isso.
Mas a grande novidade é que, ao contrário do que médicos e cientistas vêm apregoando há décadas, o consumo de uma maior quantidade de gordura - cerca de 35% da energia ingerida - está igualmente associado a um menor risco de morte em comparação com uma menor ingestão de gordura.
Por outro lado, uma alimentação rica em carboidratos - mais de 60% da energia ingerida - está relacionada a uma maior mortalidade, embora não esteja associada com maior risco de doença cardiovascular.
Estas são as principais mensagens de dois relatórios publicados pela revista médica The Lancet, ambos produzidos a partir de um grande estudo global liderado por pesquisadores do Instituto de Pesquisas sobre a Saúde da População, da Universidade McMaster (Canadá).
A investigação sobre as gorduras alimentares constatou que seu consumo moderado não está associado a doenças cardiovasculares graves e, na verdade, um maior consumo de gordura mostrou-se associado a uma menor mortalidade. Isso foi observado para todos os principais tipos de gorduras - saturadas, poli-insaturadas e monoinsaturadas -, com as gorduras saturadas associadas a menor risco de acidente vascular cerebral.
Nem a ingestão total de gordura e nem a ingestão dos tipos individuais de gordura mostraram-se associadas com risco de ataques cardíacos ou morte por doenças cardiovasculares.
Os pesquisadores ressaltam que, embora isso possa parecer surpreendente para alguns, esses novos resultados são consistentes com vários estudos observacionais e ensaios clínicos randomizados conduzidos nos países ocidentais nas últimas duas décadas.
Segundo eles, quando visto no contexto da maioria dos estudos anteriores, o trabalho reforça o questionamento sobre as "crenças convencionais" sobre a gordura na alimentação.
"Uma diminuição na ingestão de gordura leva automaticamente a um aumento no consumo de carboidratos e nossos resultados podem explicar por que certas populações, como os sul-asiáticos, que não consomem muita gordura, mas que consomem muitos carboidratos, têm maiores taxas de mortalidade," disse a professora Mahshid Dehghan, principal autora do estudo.
A professora Dehghan ressalta que as recomendações sobre uma dieta saudável têm-se concentrado por décadas na redução da gordura total para abaixo de 30% da ingestão calórica diária, e das gorduras saturadas para abaixo de 10% da ingestão calórica.
Mas isto se baseia, diz ela, "na ideia de que reduzir a gordura saturada deve reduzir o risco de doença cardiovascular, mas não leva em conta a forma como a gordura saturada é substituída na dieta."
A pesquisadora acrescenta que as diretrizes atuais foram desenvolvidas há mais de 40 anos usando dados de alguns países ocidentais onde a gordura representava de 40% a 45% da ingestão calórica e o consumo de gorduras saturadas acima de 20%. O consumo de ambas agora é muito mais baixo na América do Norte e na Europa (31% e 11%, respectivamente).

Fonte: Diário da Saúde
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Descoberto um tipo único de objeto no Sistema Solar


O 288P é formado por dois corpos (a elipse mostra a órbita mútua) que, juntos, navegam pelo espaço com uma cauda parecida com a de um cometa. Imagem: ESA/Hubble, L. Calçada
Asteroide ou cometa?
Parece ser um asteroide binário, mas, em vez de dois pedregulhos virtualmente inertes, como costumam ser os asteroides, a dupla se comporta em tudo como se fosse um cometa, incluindo uma longa cauda e uma coma brilhante.
Assim é o objeto celeste, que não se encaixa em nenhuma definição já proposta pelos cientistas, descoberto por uma equipe liderada por Jessica Agarwal, do Instituto Max Planck de Pesquisas do Sistema Solar, na Alemanha.
O objeto, conhecido como 288P, está localizado no cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter, onde costumam morar - ou ter-se originado - a maioria dos asteroides que conhecemos. Já os cometas, os cientistas acreditam que eles venham de um ainda hipotético campo de corpos celestes situado nos confins do Sistema Solar, conhecido como Nuvem de Oort.
Assim, se o 288P é um "asteroide cometário" ou um "cometa asteroidal" é coisa que ainda vai exigir longas discussões em congressos de astronomia nos próximos anos.
Na prática, a descoberta complica as definições e lança novas possibilidades sobre as especificações cruas de asteroides como corpos secos e quase inertes - essencialmente pedras girando pelo espaço - e cometas como corpos cheios de gelo e atividade decorrente de seu aquecimento ao se aproximar do Sol.
Essa definição dos cometas já vem balançando muito desde que a sonda Rosetta visitou o cometa Chury, praticamente redefinindo o que é um cometa ao mostrar que, em vez de um grande bloco de gelo empoeirado, como os cientistas acreditavam, o cometa é largamente poroso, mas "seco como um osso no deserto".
Gelo interior
Imagem: NASA/ASA/J. Agarwal
As imagens, feitas pelo telescópio Hubble, mostram que o 288P é um binário formado por dois corpos de tamanhos praticamente iguais, separados entre si por cerca de 100 quilômetros.
A atividade cometária ainda é um enigma, e exigirá novas observações e um acompanhamento do objeto durante algum tempo, mas Jessica Agarwal acredita que esse é um indicador de que o binário é resultado da cisão de um objeto maior, expondo um núcleo preservado, que agora estaria sendo ejetado.
"Nós detectamos fortes indícios da sublimação de gelo de água devido ao aumento do aquecimento solar - similar a como a cauda de um cometa é criada. Gelo de superfície não poderia sobreviver no cinturão de asteroides pela idade do Sistema Solar, mas poderia ser protegido por bilhões de anos por um manto refratário de poeira, com apenas alguns poucos metros de espessura," disse ela.
Por isso a equipe acredita que o 288P existe na forma de um binário por não mais do que 5.000 anos, com o cenário mais provável indicando que ele teria se quebrado devido a uma rápida rotação. "Depois disso, os dois fragmentos podem estar se afastando devido aos torques de sublimação," disse Jessica.
Matéria colhida na íntegra em: Inovação Tecnológica
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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Menos trigonometria, mais pensamento crítico: especialista do MIT sugere estratégias contra 'passividade' de alunos


Jogos, sejam eles eletrônicos ou analógicos, permitem a imersão dos alunos em conceitos, explica Groff. Imagem: Getty Images
A especialista americana em educação Jennifer Groff, pesquisadora-assistente do Laboratório de Mídias (Media Lab) do MIT (sigla em inglês para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts), afirma que disciplinas de pouca aplicação prática e ensino de conteúdo distante do contexto real são prejudiciais aos alunos por ensiná-los a pensar de um modo linear, que não os prepara para o mundo.
Groff é autora de estudos sobre ensino personalizado, inovações em sistemas de aprendizagem e uso de jogos e tecnologias em sala de aula.
Em entrevista cedida à BBC Brasil em São Paulo, onde atuará como diretora pedagógica da escola Lumiar, Groff faz coro ao crescente número de especialistas internacionais que defendem um ensino mais baseado em habilidades e competências do que em disciplinas tradicionais.
Ela também defende que a mudança na base curricular brasileira (documento do Ministério da Educação atualmente em fase de consulta pública) é uma oportunidade para dar flexibilidade para que professores possam adotar jogos, brincadeiras e projetos em sala de aula.
A seguir, alguns dos principais trechos da entrevista:
Jennifer Grof. Imagem: Arquivo pessoal
BBC Brasil - Uma das áreas que você estuda é aprendizagem por jogos. O que, na sua experiência, tem funcionado ou não em termos de jogos em sala de aula?
Jennifer Groff - Em nosso laboratório, buscamos jogos que envolvam (o aluno) em experiências e permitam a imersão em um conceito - em vez de um jogo que simplesmente o instrua a fazer uma tarefa.
Por exemplo, para ensinar a tabuada, brincadeiras com blocos permitem às crianças perceber que "dois blocos mais dois formam quatro".
BBC Brasil - Muito tem sido dito sobre o aprendizado não mais centrado no professor, e sim nos alunos. É a isso que você se refere?
Groff - Exatamente. Muitos dos jogos que desenvolvemos no nosso laboratório são criados para serem jogados socialmente, em grupos - somos seres sociais e não construímos conhecimento em isolamento.
BBC Brasil - O que tem sido mais eficiente nas transformações dos ambientes de aprendizagem nas escolas?
Groff - Sabemos por pesquisas e por escolas (bem-sucedidas) que o bom aprendizado é centrado no estudante, que constrói seu próprio conhecimento socialmente.
Em muitos currículos, temos aquela aula de 45 minutos de matemática, por exemplo, e (os estudantes) nem sequer sabem por que estão aprendendo matemática. Os estudantes não a recebem (o conteúdo) em contexto.
Confira a entrevista completa no site da BBC Brasil, clicando aqui.

Fonte: BBC Brasil
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Aplicativo de celular identifica sinais de câncer


A equipe está testando óculos coloridos, em substituição à caixa usada agora, para facilitar a identificação do amarelamento no branco dos olhos. Imagem: University of Washington
Um novo aplicativo para celulares pode levar a uma detecção precoce de câncer de pâncreas usando apenas uma selfie.
Essa doença mata 90% dos pacientes dentro de cinco anos, em parte porque não há sintomas precoces ou instrumentos de triagem não-invasiva para identificar um tumor desse tipo antes que ele se espalhe.
Por isso, pesquisadores da Universidade de Washington (EUA) desenvolveram um aplicativo - batizado de BiliScreen - que usa a câmera do celular para tirar a foto e algoritmos de visão computacional e ferramentas de aprendizado de máquina para detectar níveis elevados de bilirrubina. Para isso, o programa vasculha sinais da doença na esclerótica da pessoa - a parte branca do olho.
Em um estudo clínico inicial com 70 voluntários, o aplicativo BiliScreen identificou casos suspeitos da doença com uma precisão de 89,7% em comparação com o exame de sangue atualmente utilizado. Como está em estágio inicial de desenvolvimento, o aplicativo precisou ser usado em conjunto com uma caixa que controla a exposição do olho à luz - para tirar a selfie é necessário colocar o rosto na caixa para controlar a iluminação.
A equipe pretende agora testar o aplicativo em um número maior de pessoas com risco de icterícia e condições similares, bem como continuar a fazer melhorias no programa para que seja possível dispensar o uso da caixa. Eles já estão testando armação parecidas com óculos que fornecem referências de cor para eliminar os problemas de brilho e reflexão.
Um dos primeiros sintomas do câncer do pâncreas, bem como de outras doenças, é a icterícia, um amarelamento da pele e dos olhos causado por um acúmulo de bilirrubina no sangue, uma substância resultante da degradação da hemoglobina.
Um exame capaz de detectar sinais de icterícia quando os níveis de bilirrubina só começaram a subir - mas antes de serem visíveis a olho nu - poderia permitir a identificação precoce da doença e a redução do número de óbitos.
O exame de sangue atualmente usado para medir os níveis de bilirrubina é inadequado para uma triagem frequente, geralmente sendo aplicado apenas em recém-nascidos que apresentam icterícia. Por isso a ideia do aplicativo é promissora, tornando-se uma ferramenta não-invasiva que qualquer pessoa poderia utilizar, apenas consultando um médico para exames adicionais caso o aplicativo dê esse indicativo.
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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Por que a água do mar se retrai antes da chegada de um furacão?


Muitos barcos ficaram encalhados na areia em Tampa, Flórida, quando o mar se retiro. Imagem: Reuters
Quando o furacão Irma, o mais poderoso da década no Atlântico, ainda se aproximava da costa da Flórida, a ventania se intensificava, a chuva começava a cair quando, de repente, o mar começou a se retrair.
Aos poucos, a água foi sendo sugada, recuando e se afastando das costas e praias. Deixou um rastro de algas, pedras, troncos, ouriços do mar e caramujos.
Barcos, que antes boiavam à beira mar, ficaram afundados na areia. Essas cenas foram vistas várias vezes à medida que o furacão avançava para os EUA - e imagens pipocaram durante todo o fim de semana nas redes sociais.
As primeiras foram registradas nas Bahamas e, depois, nas costas de Key West, Naples, St. Petersburg, Sarasota e Tampa, cidades no oeste da Flórida.
E por que o mar recuou se o um ciclone estava se aproximando? Não seria o caso de a maré subir, provocar ondas e inundar tudo?
"Nem sempre isso acontece. Depende da força e da direção dos ventos do furacão", explica Juan Carlos Cárdenas, meteorologista do Centro Mundial de Prognósticos do The Weather Company, empresa de previsão e tecnologia de clima e tempo.
O fenômeno deixou muita gente surpresa e causou intensa discussão nas redes sociais.
"Foi muito estranho porque tinha muito vento, mas, ao invés de ter ondas, o mar foi embora. Foi algo estranhíssimo", contou Sandra Padrón, moradora de Naples, à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC. Ela disse que teve medo. "O mar recuou muito na manhã (de domingo). Pensei que era com anúncio de algo ruim."
Em Tampa, a água praticamente sumiu debaixo do píer. Imagem: Kim Kuizon FOX 13/Twitte
De acordo com o especialista, para compreender esse fenômeno é preciso entender a estrutura e o movimento de um furacão.
Os ventos dos ciclones tropicais, quando se formam ao norte do Equador, circulam no sentido anti-horário, isto é, da direita para a esquerda.
"Assim, quando Irma foi se aproximando da Flórida, o vento, que é muito forte, sopra do leste para o sudeste, de forma que arrasta, 'puxa' a água, da costa para dentro (do oceano)", explica Cárdenas.
"O que tem que ser levado em consideração neste caso é que a forma e força com que o vento avança são tão poderosos que fazem a água se mover na mesma direção", completa o especialista.
Portanto, diz ele, como a costa oeste da Flórida está localizada na direção oposta ao vento, a água tende a recuar nessa região.

Fonte e mais informações em: BBC Brasil
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terça-feira, 5 de setembro de 2017

A ciência não conhece 99% dos micróbios em nosso corpo


Estilo de apresentação dos microrganismos conhecido como "sistema solar". Cada anel representa um nível taxonômico, com os raios dentro de cada anel representado a homologia genética média. As cores correspondem ao super-reino (no sentido anti-horário a partir das 3 horas: bactérias, vírus, eucariontes e archaea. Imagem: 10.1073/pnas.1707009114
Uma nova pesquisa de fragmentos de DNA que circulam no sangue humano indica que nossos corpos possuem uma população de micróbios vastamente mais rica do que qualquer cientista havia suspeitado até agora.
Na verdade, 99% do DNA localizado em nosso sangue é novo para a ciência.
"Nós descobrimos a escala inteira. Encontramos [fragmentos de DNA] que estão relacionadas a coisas que as pessoas já viram antes, encontramos coisas divergentes e encontramos coisas completamente novas," disse Stephen Quake, professor de bioengenharia da Universidade de Stanford (EUA).
A pesquisa foi inspirada por uma observação curiosa feita no laboratório de Quake enquanto sua equipe buscava maneiras não invasivas de prever se o sistema imunológico de um paciente de transplante reconheceria o novo órgão como estranho e o atacaria, um evento conhecido como rejeição. Normalmente é preciso fazer uma biópsia de tecido para detectar o risco de rejeição - o que significa uma grande agulha sendo espetada no paciente e pelo menos uma tarde em uma cama de hospital para observação.
A equipe achou que deveria haver uma maneira melhor de fazer isto. Em teoria, poderia ser possível detectar a rejeição pegando amostras de sangue e observando qualquer DNA livre - não ligado a uma célula - e os pedaços de DNA que circulam livremente no plasma sanguíneo. Além dos fragmentos de DNA do próprio paciente, essas amostras devem conter fragmentos do DNA do doador do órgão, bem como uma larga coleção de DNA de bactérias, vírus e outros micróbios que compõem o microbioma de uma pessoa.
De 2013 para cá, Quake e as equipes dos seus colegas Mark Kowarsky e Iwijn De Vlaminck coletaram amostras de 156 receptores de transplante de coração, pulmão e medula óssea, juntamente com amostras de 32 mulheres grávidas - assim como os medicamentos imunossupressores tomados pelos pacientes transplantados, a gravidez também altera o sistema imunológico, embora de maneiras mais complicadas e menos bem compreendidas pela ciência.
A teoria de que esse exame de fragmentos de DNA dá um bom sinal da rejeição do transplante de órgãos foi confirmada.
Mas também havia outra coisa, algo muito mais estranho. A equipe não conseguiu catalogar 99% dos fragmentos de DNA não-humanos encontrados, mesmo depois de vasculhar todas as bases de dados genéticas existentes.
A vasta maioria das moléculas de DNA pertence ao filo das proteobactérias, que inclui, entre muitas outras espécies, agentes patogênicos como E. coli e Salmonella. E a maior parte dos vírus pertence à família torque teno (TTV: torque teno virus), poucos deles associados a doenças humanas, mas frequentemente encontrados em pacientes imunocomprometidos.
"Nós dobramos o número de vírus conhecidos naquela família com este trabalho," disse Quake, destacando alguns que não se encaixam nem no grupo dos que infectam seres humanos e nem no grupo dos que infectam animais.
"Nós descobrimos uma nova classe inteira de vírus que infectam humanos que estão mais próximos da classe animal do que da classe humana anteriormente conhecida, de forma que são bastante divergentes na escala evolutiva," contou o pesquisador, afirmando que agora começa o longo processo de análise para catalogar todos os microrganismos responsáveis pelos fragmentos de DNA encontrados.
Os resultados foram publicados na revista científica PNAS.

Fonte: Diário da Saúde
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sábado, 2 de setembro de 2017

Exercício físico protege o coração - mesmo o coração doente


Há poucas semanas, outra equipe demonstrou que os exercícios evitam e até revertem a perda de neurônios no coração. Imagem: Marcelo Hiro Akiyoshi
Há poucos anos, ter uma doença cardíaca era virtualmente uma "condenação" a um repouso absoluto, fugindo de qualquer esforço físico que pudesse representar uma carga adicional para o coração.
Hoje, ao contrário, a prática regular de atividade física tem-se firmado como uma importante forma de tratamento para a insuficiência cardíaca - doença caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente.
Os benefícios vão desde prevenir a caquexia - perda severa de peso e massa muscular - até o controle da pressão arterial, a melhora da função cardíaca e o retardo do processo degenerativo que causa a morte progressiva das células do coração e leva à morte 70% dos afetados pela doença nos primeiros cinco anos.
Pesquisadores a Universidade de São Paulo (USP) descobriram agora uma parte dos mecanismos fisiológicos pelos quais o exercício aeróbico protege o coração doente.
"Basicamente, o que descobrimos é que o treinamento aeróbico facilita a remoção de mitocôndrias disfuncionais nas células cardíacas," contou Júlio César Ferreira, professor do Instituto de Ciências Biomédicas que está orientando o trabalho da pesquisadora Juliane Cruz Campos.
As mitocôndrias são as organelas responsáveis por produzir energia para as células. "A remoção dessas organelas promove um aumento na oferta de ATP [adenosina trifosfato, molécula que armazena energia para a célula] e reduz a produção de moléculas tóxicas, como os radicais livres de oxigênio e os aldeídos reativos, que em excesso danificam as estruturas celulares", acrescentou.
Em uma pesquisa anterior, a equipe já havia mostrado por meio de experimentos com cobaias que o treinamento aeróbico combate a insuficiência cardíaca reativando um complexo intracelular conhecido como proteassoma - principal responsável pela degradação de proteínas danificadas.
Os resultados mostraram ainda que, no coração de portadores de insuficiência cardíaca, a atividade desse sistema de limpeza diminui mais de 50% e, consequentemente, proteínas altamente reativas começam a se acumular no citoplasma, interagindo com outras estruturas e causando a morte das células cardíacas.
Agora, eles descobriram que a atividade física também regula a atividade de outro mecanismo de limpeza celular conhecido como sistema de autofagia - cuja descoberta rendeu o Nobel de Medicina ao cientista japonês Yoshinori Ohsumi, em 2016.
"Em vez de degradar proteínas isoladas, esse sistema cria uma vesícula [autofagossomo] em volta de organelas disfuncionais e transporta todo esse material de uma só vez até uma espécie de incinerador, o lisossomo. Lá dentro, existem enzimas que destroem o lixo celular. No entanto, observamos que no coração de ratos com insuficiência cardíaca esse fluxo autofágico está interrompido, o que faz com que mitocôndrias disfuncionais comecem a se aglomerar", explicou Júlio César.
De acordo com o pesquisador, a mitocôndria chega a se dividir, isolando a parte danificada para facilitar sua remoção. Isso foi possível constatar ao analisar a atividade de proteínas relacionadas com o processo de divisão mitocondrial. Porém, o sistema que deveria transportar o material rejeitado até o lisossomo não consegue completar a tarefa.
Segundo o pesquisador, o objetivo da pesquisa no longo prazo é identificar alvos intracelulares que possam ser modulados por meio de fármacos para promover pelo menos parte dos benefícios cardíacos obtidos com a atividade física.
"Claro que não queremos criar a pílula do exercício, isso seria impossível, pois ele atua em muitos níveis e em todo o organismo. Mas talvez seja viável, por meio de um medicamento, mimetizar ou maximizar o efeito positivo da atividade física no coração.
"Nossos resultados mostram que a atividade física não só previne, como também reverte os danos causados pela insuficiência cardíaca. Nossa hipótese é que o treinamento físico module a expressão e/ou atividade de uma ou mais proteínas-chave envolvidas no processo denominado 'mitofagia', a autofagia mitocondrial, restaurando então sua atividade. É o que agora estamos tentando descobrir," comentou Júlio César.
De acordo com o pesquisador, quando identificados, esses genes e as proteínas por eles codificadas poderiam ser testados como alvos terapêuticos.

Fonte: Diário da Saúde
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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Folhas caídas no outono viram material de alta tecnologia para eletrônica e energia


Depois que caem secas no outono, as folhas viram um material de alta tecnologia com largas aplicações na eletrônica e no armazenamento de energia. Imagem: US National Park Service
As estradas do norte da China estão cercadas por árvores kiri, ou paulônia imperial, que são decíduas, ou seja, perdem as folhas no outono. Essas folhas geralmente são aproveitadas pela população, que as queima na estação mais fria.
Hongfang Ma, da Universidade Qilu de Tecnologia, estava pesquisando essas folhas em busca de novas formas de converter a biomassa em materiais de carbono porosos que pudessem ser usados para o armazenamento de energia - em eletrodos de baterias, por exemplo.
Nessa busca, ele desenvolveu um método para converter a massa de resíduos orgânicos em um material de carbono poroso que pode ser usado para produzir equipamentos eletrônicos de alta tecnologia - e justamente para armazenar energia.
Ma usou um processo de várias etapas, mas bastante simples, para converter as folhas caídas das árvores em uma forma de carbono que pode ser incorporada nos eletrodos como materiais ativos.
As folhas secas foram primeiro moídas e a massa resultante foi aquecida a 220º C por 12 horas. Isso produziu um pó composto de pequenas microesferas de carbono. Essas microesferas foram então tratadas com uma solução de hidróxido de potássio e aquecidas por aumentos graduais da temperatura em uma série de saltos, de 450 a 800º C.
O tratamento químico corrói a superfície das microesferas de carbono, tornando-as extremamente porosas. O produto final, um pó de carbono preto, tem uma área superficial muito alta graças a esses poros minúsculos. E essa superfície proporciona ao produto propriedades elétricas extraordinárias.
As curvas de corrente-tensão do material mostraram que a substância poderia ser usada para construir um capacitor excelente. Testes posteriores mostram que, na verdade, o material produz supercapacitores, com capacitâncias específicas de 367 Farads por grama - isto é mais de três vezes mais do que a capacitância dos supercapacitores de grafeno.
Os capacitores são componentes elétricos presentes em toda a eletrônica, armazenando energia entre dois condutores separados um do outro por um isolante. Já os supercapacitores geralmente podem armazenar de 10 a 100 vezes mais energia do que um capacitor comum e podem carregar e descarregar muito mais rapidamente do que uma bateria recarregável típica.
Por isso, materiais supercapacitivos são altamente promissores para uma grande variedade de aplicações de armazenamento de energia, dos computadores aos veículos híbridos e elétricos.
O professor Ma e seus colegas pretendem a seguir melhorar ainda mais as propriedades eletroquímicas do material poroso de carbono, otimizando o processo de preparação e permitindo a dopagem do material, ou seja, a modificação de suas propriedades para aplicações específicas mediante a adição de pequenas quantidades de outros elementos, como se faz com os demais materiais utilizados na eletrônica.

Fonte: Inovação Tecnológica
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